Processo Criativo – no contexto da TI

“As regras e os modelos sufocam o gênio e a arte!”

(William Hazlitt)

Estimulamos a criatividade?

Nas empresas, após a onda da “qualidade total” (décadas de 80-90) iniciou-se um forte movimento com foco nos processos que tangem a inovação. No entanto questiono se o tema “criatividade”, muito explorado e conhecido pelos times de marketing teve  mesma ênfase nesta década pelas áreas de TI – “no contexto destas áreas nas indústrias”?

Esta pode ser considerada a bola da vez, pois dando o devido valor ao processo criativo poderemos implementar nas áreas de TI um bom processo de inovação. Sabemos que é vital para o processo criativo os estímulos às pessoas, fazê-los pensar fora da caixa, maximizar a capacidade de “criação” das pessoas! A questão está em:

– Como gerar mais idéias?

– Como envolver as pessoas de forma produtiva?

“Quando todos pensam o mesmo, significa que ninguém está pensando.” (Walter Lippmann)

Ações que utilizamos geralmente para o desenvolvimento do potencial criativo:

– Brainstorming (criado em 1953 – Alex Faickney Osborn), em reuniões de trabalho formais;

– Caixa de sugestão (criado em 1770 – British Navy),  através de e-mail, site, outra ferramenta;

– Benchmarking (criado em 1979, Xerox);

Existem outros métodos, mas basicamente estes são os 3 mais difundidos. A data de aplicação de cada um dos itens foi colocada acima como “provocação”!  O que estamos fazendo para inovar/fomentar a captura de idéias diferentemente das gerações anteriores? Como matéria-prima básica da inovação temos a “boa idéia”, e uma maneira para alcançá-la é gerando várias idéias!

“Até mesmo água parada apodrece!” (Luiz A C Pedrosa)

As áreas de TI incubadas dentro de indústrias onde o “core business” não é tecnologia, talvez não tenha evoluído muito nos últimos anos quando tratamos o tema “processo criativo”. Existem muitas teorias, uma delas diz que reuniões para “levantar idéias” precisam de ambiente propício para tal: informal, que estimule a geração de idéias e a descontração, garantindo um ambiente de construção (não ao veto), valorização do trabalho dos outros e do trabalho em grupo – e não encontramos modelos deste tipo facilmente no processo de inovação de TI.  Isto porque além de pensarmos lógicamente (de A a B) e darmos força ao conhecimento técnico, pensamos também no curto prazo e “não estimulamos a imaginação”.

Temos na cultura da área de TI das empresas e no comportamento da sociedade uma ‘trava’, pelo modelo de educação que nos determina a primeiro seguir padrões, executar a rotina e só depois, questionar se essa era a melhor forma .  Geramos mesmo sem querer um bloqueio ao processo criativo, pois nos condiciona a nos mantermos dentro de um contexto já existente e inibe nossa capacidade de reinventar o modelo. Um exemplo para refletir está na nossa bandeira: primeiro a Ordem e depois o Progresso.

Penso que quando falamos sobre estímulos na geração de idéias, estamos falando em tornar as pessoas curiosas sobre algo!  Para isto, teríamos que dar FOCO num determinando problema, ou eleger os principais problemas da área. Geralmente não fazemos isto e a “abstração” consome a capacidade criativa. Se buscássemos os principais problemas, poderíamos desafiar os times, e buscar nas pessoas a “curiosidade“, e assim teríamos um poderoso motivador na resolução de problemas e desafios aparentemente “impossíveis”. Podemos dizer que o conhecimento é perecível, e ações simples como esta podem gerar um motor potente para estudo e pesquisa, maximizando o grau de conhecimento sobre os assuntos que rodeiam o problema.

Também temos outras novas técnicas que surgiram desde a caixa de sugestão e podem ser aproveitadas pela empresas, seguem exemplos:

Co-criação: forma de inovação que acontece quando as pessoas de fora da empresa (área) como fornecedores, colaboradores e clientes (usuários) associam-se com o negócio ou produto agregando inovação de valor e recebendo em troca os benefícios de sua contribuição, sejam eles através do acesso a produtos customizados ou da promoção de suas idéias;  (Ex: Indústria Automobilística);

Sugestões (mas sem abstração, com foco, em fases, identificando o PROBLEMA);

– Benchmarking com “sourcing” (sair, pensar e  refletir);

– Workshops (familiar, entidades externas…);

– Sourcing: possibilidade de visita à lugares fora do seu cotidiano, buscando adquirir novas experiências e expandir o campo de visão!;

 Conversa Peripatética: a arte de ensinar e pensar caminhando;

   Peripatético é a palavra grega para ‘ambulante’ ou ‘itinerante’.  Peripatéticos (ou ‘os que passeiam’) eram discípulos de Aristóteles, em razão do hábito do filósofo de ensinar ao ar livre, caminhando enquanto lia e dava preleções, por sob os portais cobertos do Liceu, conhecidos como perípatoi, ou sob as árvores que o cercavam. O Liceu (lyceum) foi uma escola fundada por Aristóteles em 335 a.C. no bosque consagrado a Apolo Lykeios (provavelmente a origem do nome de sua escola), a leste de Atenas. Foi também conhecida por Peripatos, ou escola peripatética.

   Neste caso, o cérebro desempenha melhor (estímulo a imaginação) quando o corpo está em movimento.

– Inovação Destrutiva: onde a linha de raciocínio é baseado na destruição de um produto/processo atual;

 
     Pressão da liderança 

Podemos repensar o modelo de inovação, aceitar que este processo é organizado dentro de um caos criativo (aceito e valorizado), com cronograma incerto, pedindo desculpa ao invés da licença, aceitando as incertezas, mas com seriedade e organização. As lideranças precisam evitar o manifesto na força que se opõe a uma idéia criativa e inovadora, e se fugirmos dessa restrição chegaremos mais facilmente num ciclo de inovação onde as idéias se renovam.

“A melhor forma de ter uma boa idéia é ter muitas idéias/perspectivas.”

(Linus Pauling)

Outro ponto a ressaltar é que as idéias que valem ouro são as idéias malucas!

Finalizando, deixo abaixo 7 Dicas (as “sete leis” da criatividade, Victor Mirshawka Jr)

– Domine a autocrítica: aquela voz interna, chamada de “voz de julgamento”, teimando em julgar as idéias que lhe vêm à mente como ruins, bobas, sem sentido ou valor. Analise todas as opções e busque a habilidade do julgamento “construtivo”.

– Seja um entusiasta da mudança: a relação entre criatividade e mudança é óbvia, uma vez que é o processo de mudança que permite a implementação das idéias criativas, às vezes em detrimento do já existente.

– Busque o diferente: faça as coisas de forma diferente da usual. Saia da rotina!  Fazer as coisas de modo diferente pode ser bem divertido, desde que nos disponhamos a enxergar assim, e é por meio de analogias e conexões com coisas não usuais que costumam surgir as idéias brilhantes.

– Persistência: das muitas idéias que você tiver, apenas algumas terão potencial para transformar-se em enorme sucesso. O princípio é: quanto maior a quantidade de idéias, maior a chance de ter boas idéias.

– Aumente seu conhecimento: quer seja o conhecimento formal e teórico sobre algum assunto, ou o conhecimento tácito e prático de como fazer alguma coisa. Sem esta base, é difícil dar saltos criativos.

– “Distribua” sua criatividade: criar um círculo virtuoso de auto-estima é fazer com que pelo menos uma parte de seus esforços criativos beneficie outras pessoas além de você. Compartilhe! Pois o retorno que as pessoas beneficiadas lhe darão servirá de impulso para ser ainda mais criativo. Desconfie se alguém ou alguma instituição sonegar alguma informação sob o argumento de que ela é sigilosa. No campo da criatividade, não existe, monopólio do conhecimento.

– Sonhe com o impossível: trabalho numa empresa onde ouço que sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno. Bom, as pessoas que sonham com o impossível são as únicas que têm chance de alcançá-lo.

Caro leitor, faço questão de ler seus comentários, críticas e/ou sugestões quanto a este assunto.

Obrigado.

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