Processos Decisórios

Existem técnicas que auxiliam no processo de tomada de decisão, no entanto “decidir pela melhor escolha” não é o resultado de um processo isolado. Decisões fazem parte de um “contexto”, da soma entre análise, metodologia, ferramenta, base histórica e outros.  Ou seja, o processo decisório se desmembra ao longo do tempo e em fases de preparação, decisão e execução através do bom senso e de boa liderança!

Quase todos experimentam ansiedade, frustração e conflito com outras pessoas antes de ser tomada uma decisão, assim como também se costuma dedicar pouco tempo a introspectivas e outras formas de aprendizado com a experiência. Uma forma de exemplificar estão nas decisões tomadas pela emoção antes da razão, onde a experiência ajudar a evitar este tipo de armadilha. Mas até onde o seu background te ajuda? Existem formas de prevenir-se através de conceitos e metodologias?

Segue abaixo pontos no qual estudei e considero importante compartilhar:

1- Cultura: a cultura nas empresas influencia no processo de tomada de decisão, e temos a presença de mentalidades diferentes para a solução de problemas.  Em alguns casos os gestores não dedicam muito tempo na identificação de um problema, pois são pagos para solucioná-los! (um risco para quem trabalha com foco no resultado a curto prazo).

Muitas vezes esquecemos de teorias simples como evitar estratégia de tentativa e erro, e a solução algumas vezes é dada baseando-se em princípios que são postulados, hipóteses ou cenários implícitos e talvez inconsistente – dado que utilizaram apenas o conhecimento no seu rol de atividades. Na sua opinião, estamos escutando a opinião de parceiros e opositores devidamente? (para ampliar o conhecimento ref. ao assunto)

2- Estratégia: Muitas vezes para tomar uma decisão complexa gastamos nosso tempo na coleta de informações sobre o “efeito” do problema” e não na “causa”, Esta observação é simples mas um erro ainda muito cometido nas organizações e que deve ser evitado, fazendo-se as perguntas certas pode-se obter melhores resultados. Exemplos: é usual ouvir – “Temos um problema de custos”, porém o aumento de custos é um sintoma e não o problema! Outro é “Temos um problema de reestruturação”, sendo que a reestruturação é uma forma de resolver um problema.

Uma técnica que aprendi lendo Falconi (Gerenciamento da Rotina), é fazer os “5 Porquês”. A partir do momento que exercita perguntar o “porquê do porquê”, a um nível analítico, você traz mais informações para o problema e portanto – decide melhor! Simples não? Mas qual o motivo de não fazermos isto devidamente?

3Armadilhas – o primeiro passo para superar as armadilhas da tomada de decisão é assumir que elas existem e são naturais. Abaixo alguns tipos de armadilhas existentes:

3.1 Precipitação: armadilha vivenciada neste caso, onde começamos a colher informações para chegar a conclusões sem antes dispensar alguns minutos para abordar os aspectos mais importantes da questão ou tentar compreender como essas decisões devem ser tomadas.

3.2 Cegueira Estrutural: para alguns problemas chamamos as estruturas mentais (ex. mapas cognitivos), as quais as pessoas criam para simplificar e organizar o mundo de “estruturas” de decisão. Podemos nestes casos ter uma visão míope do problema e não decidirmos pela melhor escolha.

Exemplo: se um taco + bola custam R$ 1,10, quanto custa o taco se este custa R$ 1,00 a mais que a bola?  A armadilha é pensar nos 0,10 centavos, dado que a diferença/ou o resto entre R$ 1,00 e R$ 1,10 é o custo da bola. A resposta é 0,5 centavos!

3.3 Excesso de Confiança em seu julgamento: Deixar de colher informações factuais importantes por estar demasiadamente seguro de suas hipóteses e opiniões. Geralmente usamos o “quanto sabemos” a respeito de assuntos gerais, mas é muito importante a reflexão sobre o quanto “não sabemos”, ou seja, o que importa é o que você sabe a seu respeito. Já ouvimos histórias como pessoas que não deram crédito para inovações como computador, carro, tv, fone, rádio e outros. Exemplos:

“No mercado mundial há lugar talvez para cinco computadores.”
 Thomas Watson, presidente da IBM, 1943

“O cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel, uma moda.”
 George Peck, presidente do Michigan Savings Bank, em 1903

Para reflexão: “Saber que sabemos aquilo que sabemos, e que não sabemos aquilo que não sabemos, esse é o verdadeiro conhecimento” (Confúcio)

3.4 Atalhos míopes: um bom tomador de decisões deve enunciar as estimativas em termos de níveis de confiança, deve fazer as perguntas que possam refutar a hipótese inicial, deve construir cenários de avaliação a fim de evitar uma visão míope.

3.5 Fracasso em Grupo: cuidar com o B.O.G.S.A.T (Bunch of Old Guys Sitting Around Talking), onde numa reunião temos a decisão dominada pelo líder, neste caso o líder não é desafiado e quando começam pelo caminho errado raramente voltam atrás (por receio de ficar em desacordo com o chefe).

O sucesso, na deliberação em grupo, depende da administração hábil de conflitos até se atingir o consenso, e o conflito e respeito são elementos importantes para boa qualidade da decisão em grupo.  Se os participantes acreditam que o processo de decisão foi justo, eles estarão muito mais dispostos a comprometer-se a decisão resultante, mesmo que suas opiniões não prevaleçam.

3.6 Paralisia: pode ocorrer situações onde a liderança prefere não tomar a decisão e propõe a criação de um comitê por exemplo, para decidirem mais tarde.  Observa-se que a paralisia da “não decisão” se deve ao desejo dos decisores dar o tempo necessário para encontrar uma solução que concilie todos os pontos de vista presentes. Difícil é conciliar as consequências das possíveis decisões.

4- Teoria da Perspectiva: a tese de Kahneman e Tversky que deu o prêmio Nobel a ambos, chama-se Prospect Theory – teoria da perspectiva no sentido de teoria das possibilidades de sucesso futuro.

Tendemos a ser super otimistas em relação ao sucesso das decisões, principalmente naquelas que geram resultado de longo prazo. Também temos a tendência de buscar evidências que confirmem o rumo planejado e consideramos pouco as informações que possam refutar a hipótese inicial.

Temos aversão ao risco – o medo da perda é um motivador maior que o prazer de ganhar.  Ou seja, as respostas para as perdas são mais extremas do que para os ganhos.  A mudança de perspectiva para um determinado problema pode influenciar e enviesar a escolha das alternativas.

Mudar a descrição dos resultados e metas, e no posicionamento das missões é suficiente para mudar a escolha do comportamento adverso ao risco para o comportamento de exposição ao risco.

Bom, este artigo segue para reflexão no nosso dia-a-dia, podemos identificar nas situações de crise e risco sobre  a forma no qual estamos decidindo, cuidar para sermos menos influenciados e analisar se estamos caindo em armadilhas.  Todos estes tópicos foram abordados em sala de aula pelo Prof. da B.I. International – Roberto Camanho no auxílio da Tomada de Decisão.

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