Os 12 Princípios da Filosofia Inamori

InamoriTrabalhei por muitos anos na Ambev e em um momento de transição de carreira houve a necessidade de se rediscutir cultura corporativa, mas a grata surpresa é que no caso da empresa IHARA o approach veio com uma pitada de influência do Japão!

Meu líder e mentor, José Gonçalves do Amaral, me entregou um livro onde pude refletir e valorizar muito a relação humana, sem deixar  de lado o que se aplica no Sonho Grande ou nas obras de Vicente Falconi, pelo contrário, Inamori já havia escrito todos os conceitos.

Inamori2A obra é muito interessante, tanto que a teoria contribuiu para o inicio de uma academia, a Seiwajyuku,  onde o mestre Inamori tenta responder a altura sua filosofia para aprendizes localizados em várias partes do mundo.

Kazuo Inamori é um monge budista e empresário muito bem sucedido, os resultados que vêm obtendo o credencia pela filosofia empresarial que adota e resume em pequenas publicações.

Esta é uma filosofia da vida obtida através da experiência e a sua base está em viver a vida de maneira correta como ser humano.

Conceito de administração

A Kyocera,  uma empresa jovem que nasceu no Japão com o posicionamento de divulgar à sociedade novas tecnologias teve que se reposicionar devido a um fato crucial, quando dez importantes funcionários sentido profunda insegurança se juntaram e ameaçaram sair da empresa.  Isso o fez mudar o objetivo da empresa:

Buscar a felicidade de todos os funcionários tanto material como espiritual e, ao mesmo tempo contribuir para avanço e progresso social e da humanidade.”

Inamori sabia que para manter os objetivos, a empresa deveria sustentar seu progresso para que cada um dos funcionários pudesse depositar o seu futuro com tranquilidade.

Os 12 princípios da administração vieram desta necessidade:

  1. Definir claramente os objetivos e o sentido do empreendimento. Os objetivos devem ser rigorosamente imparciais e possuir elevado sentido.
  2. Estabelecer metas concretas. As metas devem sempre ser compartilhadas com todos os funcionários da empresa.
  3. Desejar intensamente. Para alcançar os objetivos, é necessário que os anseios se mantenham intensos, que se alojem no subconsciente.
  4. Esforçar-se mais que todos. Cada passo no trabalho pode ser modesto, mas o avanço deve ser firme e infatigável.
  5. Maximizar as receitas e minimizar as despesas.
  6. Definir preço é administrar. A definição de preços é trabalho da diretoria. Há um único ponto em que o cliente fica satisfeito ao mesmo tempo em que se obtém bom lucro.
  7. Na administração, forte determinação é fator decisivo. Para administrar, é preciso ter forte determinação capaz de remover as mais sólidas barreiras.
  8. Espírito de luta. No mundo corporativo, é preciso muito espírito de luta, mais que em qualquer luta marcial.
  9. Enfrentar as situações com coragem. Não pode haver conduta medrosa, evasiva.
  10. Realizar sempre trabalhos criativos. Trabalhar visando ao contínuo melhoramento, de forma que amanhã tenhamos resultados melhores que hoje, e depois de amanhã melhores que amanhã.
  11. Altruímos e lealdade.
  12. Administrar sempre com espírito franco, bem disposto e construtivo, alimentando sonhos e desejos.

Segue abaixo a resenha do livro, quase que um guia de bolso:

Essência da Administração (KOKORO):

  1. Administrar com base no sentimento.  Ponto de apoio, o sentimento das pessoas, pois não há nada tão volúvel e tão instável. Mas que quando unido por traços firmes não há nada mais sólido como a união de pessoas ligadas por um mesmo sentimento.
  2. A busca do lucro justo e correto. O foco não está no ganho exorbitante de curto prazo e sim no esforço pela prática correta e sustentável.
  3. Obediência aos princípios e regras básicas. Conduzida de acordo com os preceitos éticos e morais da sociedade.
  4. O cliente em primeiro lugar.  Capaz de lançar, sucessivamente, produtos com valores agregados que os clientes desejam. Necessário possuir tecnologia mais avançada que os clientes. Fazer o  cliente feliz.
  5. Administrar na forma de grande familia. Gera gratidão e reciprocidades, consolidando o companheirismo que forma a base do trabalho de todos.
  6. Princípio de competência. O fator mais importante é ter pessoas capazes nos cargos de liderança. O critério para avaliação não é tempo de casa, e sim, a capacidade real das pessoas.
  7. Valorizar a parceria. Confiança mútua para ser sempre fraco e aberto. Uma relação horizontalizada, e não veriticalizada entre chefes e funcionários.
  8. Administrar com participação de todos. Valorizar a opinião de todos, engajar as pessoas à realização da meta coletiva.
  9. Alinhar os vetores. Convergir as forças para uma mesma direção e obter resultados surpreendentes. Quando o 1 + 1 resultará em 5 ou até mesmo 10.
  10. Valorizar a criatividade própria. Estimular o esforço de criação dia após dia e a garra de querer vencer.
  11. Administrar com transparência. Permitir um sistema que não dê margens a desconfiança onde as informações estão disponíveis a todos.
  12. Estabelecer metas elevadas. As pessoas que concebem grandes metas conseguem grandes resultados. 

Para viver uma vida maravilhosa – Sublimar o sentimento:

  1. A vontade do universo está repleta de amor, de verdade e de harmonia. 
  2. Precisamos ter um sentimento sublime e puro que sintonize com o fluxo da Vontade do Universo.
  3. Delinear o próprio anseio com o coração puro.
  4. Ter coração receptivo sem preconceito. Reconhecer as próprias imperfeições com muita humildade. As palavras que doem aos nossos ouvidos são as que contribuem para o nosso crescimento.
  5. Deve ser sempre humilde. Se formos arrogantes, vangloriando-nos de nossa capacidade e do pouco que conseguimos, certamente não obteremos a cooperação de outras pessoas e estaremos obstruindo o nosso próprio crescimento. Devemos estar cientes de que a nossa existência sempre dependerá da existência de outras pessoas.
  6. Ter sentimento de gratidão. 
  7. Seja sempre radiante. Muita esperança e alegria não obstante quão dificultosas as circunstâncias e intensos os sofrimentos.

Realizar o melhor trabalho.

  1. Dedicar-se em prol dos companheiros. Dentre as atitudes do ser humano, o mais belo e sublime é o de se dedicar em prol dos outros. Embora normalmente, as pessoas pensem primeiro em si, certamente qualquer ser humano possui dentro dele o sentimento que considera como felicidade maior ser útil a alguém e ser agradecido por isso.
  2. Estruturar uma relação de confiança. Oportunidade de todos abrirem seus corações e discutir de forma sincera e aberta o que deve ser dito.
  3. Persistir com perfeccionismo. Não se acomodar quando atingirmos 90% do resultado, fazer um produto perfeito e impecável exige empenho máximo no último 1%!
  4. Empenhar-se com seriedade no trabalho. Ser diligente e buscar o verdadeiro prazer que só o trabalho fornece. Lazer nos proporciona um deleito momentâneo, sem sentir prazer no trabalho, que na realidade, tem maior peso em nossa vida, certamente teremos um vazio em nossos corações.
  5. Acumular esforços modestos. Realizar repetidas melhorias, experiências fundamentais e coleta de dados. As coisas mais fabulosas não se alcançam de uma só vez, estas são possíveis somente através do acúmulo de pequenos e modestos esforços.
  6. Incite-se. Autocombustão, fogo do estímulo existe nas pessoas com objetivos bastante claros, que gostam do que fazem, paixão.
  7. Ame o seu trabalho. Dedicando toda nossa força, somos tomados de uma grande sensação de realização da qual nasce a autoconfiança e que nos estimula a nos desafiarmos a novos objetivos. A repetição deste processo faz com que gostemos cada vez mais do nosso trabalho, a ponto de não sentirmos mais problemas, quaisquer que seja o esforço exigido.
  8. Alcançar a essência dos fatos. Atingir o âmago de uma determinada coisa para tomada de decisão.
  9. Seja o centro do redemoinho. Tomar a iniciativa e envolver todos os que estão a sua volta para realização do trabalho.
  10. Tomar iniciativa e ser o exemplo. Ser o primeiro a iniciar o trabalho que todos evitam, mostrar com ação. 
  11. Pressionando a si próprio. Jamais fugir das dificuldades.
  12. Lutar no centro da arena. Não recuar, ganhar margem para enfrentar os contratempos inesperados.
  13. Enfrente as situações com franqueza. Às vezes é importante discutirmos com coragem e fazer confronto de ideias com muita sinceridade e energia, assim formam-se as verdadeiras relações de confiança.
  14. Julgar sem interesse pessoal. 
  15. Possuir natureza humana equilibrada. Esclarecimento lógico, questionar o “por que”, devemos possuir a racionalidade de um cientista e, ao mesmo tempo, a virtude de estabelecer um ambiente de cooperação.
  16. Valorizar mais as experiências do que conhecimento. O que conhece e o que sabe fazer são coisas totalmente diferentes.
  17. Trabalhar sempre com muita criatividade. Sempre fazer uma autocrítica do próprio desempenho, para reformular e melhorar o trabalho.

Decidir corretamente:

  1. Altruísmo como critério para a tomada de decisão. Sentimento de servir bem aos outros, ajudar o próximo, nos permitirá uma visão mais ampla para tomarmos decisões mais corretas. 
  2. Seja ao mesmo tempo, ousado e cauteloso. Não podemos considerar estas características ambíguas, é como se fossem fibras de um tecido, com fios verticais e horizontais, ambas entrelaçam entre si. 
  3. Aprimorar a capacidade de tomada de decisão por meio de atenção consciente. Concentrar nossa atenção mesmo nas coisas aparentemente insignificantes.
  4. Persistir com espírito de retidão (jogo limpo). Honestidade e justiça sempre. 
  5. Dar a devida importância ao discernimento entre o trabalho e a vida pessoal. 

Persistir na inovação até concluir:

  1. Ter forte e persistente anseio que penetre até na subconsciência. Ao mentalizarmos, dia e noite, de forma constante, isso irá penetrar até em nossa subconsciência e manifestará força extraordinária.
  2. Buscar a possibilidade ilimitada do ser humano. A capacidade do ser humano amplia-se infinitamente quando se esforça de maneira contínua.
  3. Ter espírito de desafio. Estabelecer meta elevada, negar a situação atual e criar algo sempre novo.
  4. Seja sempre desbravador. Muitas dificuldades e sofrimentos acompanham quando desbravamos novas áreas, por outro lado, não há nada que compare à alegria de ter conseguido o seu propósito.
  5. O trabalho começa quando tudo parece estar perdido. O segredo da realização está mais na paixão do que no seu talento.
  6. Persistir com a própria convicção. Todo o resultado difere muito sobre a forma de como superamos os obstáculos e as pessoas que se opõem.
  7. Projetar com otimismo, planejar com pessimismo e executar com otimismo. Deus nos deu possibilidade infinita, temos que incitar o “Vai dar certo!”. Contudo, na fase de planejamento empenhe todo o raciocínio para prever possíveis problemas.

Vencer as dificuldades:

  1. Ter a verdadeira coragem. Devemos falar claramente o que deveríamos dizer, fazer valer o que é correto.
  2. Fazer arder o espírito de luta. Enfrentar as lutas com postura de que sairemos com vitória.
  3. Abrir o seu próprio caminho. O nosso futuro ninguém garante. 
  4. Declarar a ação que irá tomar (Yuguen Jikkô). Ao fazer isso diante de todos, ao verbalizar o propósito, aproveitando reuniões matinais e demais, essas palavras irão motivar a si próprio e se converterão em energia para sua realização.
  5. Pensar até que se visualize o resultado. Alcançar o estado mental, fazendo simulações repetidas vezes até desaparecer a fronteira entre sonho e realidade.
  6. Não desistir até obter sucesso. Entusiasmo e perseverança. 

Pensar sobre a vida:

  1. Resultado da vida e do trabalho = Maneira de Pensar X Dedicação X Capacidade. Todas as variáveis tem uma escala de 0 a 100, exceto a “maneira de pensar” que possui escala de -100 a 100!
  2. Viver cada dia com extrema seriedade. 
  3. Será sempre conforme esboçado na nossa mente. Se mentalizarmos, “quero obter sucesso”, teremos sucesso. Mas, se os sentimento inseguros, tais como “posso não conseguir”, nos dominarem, iremos fracassar. 
  4. Esboçar o sonho. É importante que mantenhamos sempre grandes sonhos, seja na vida particular, seja no trabalho. 
  5. Indagar-se se a intenção é justa e se está isenta de interesse pessoal. “Zen” é uma palavra japonesa que possui um significado universal de “ser correto e justo”. 
  6. Pequena bondade se assemelha a grande maldade. Um chefe que sempre concorda com o subordinado, pode não trazer benefício e inclusive atrapalhar o crescimento pessoal e profissional. Ao contrário, o líder que orienta os subordinados com severidade, mas com base no principio firme e seguro, no longo prazo fará com que os profissionais cresçam, esta é uma atitude de “grande bondade”. 
  7. Viver uma vida com reflexão. Para elevarmos o nosso caráter devemos refletir quanto às nossas condutas do dia-a-dia, com muita humildade.
  8. Caminhar a vida com mente pura. O sucesso de grandes personalidades está mais na pureza da sua mente que nos meios utilizados para obter-lo.

Na nossa empresa cada integrante é administrador:

  1. Definir preço é administrar. O fator que determina o sucesso e fracasso da Administração é a definição de preços.
  2. Maximizar a receita e minimizar a despesa. A fórmula é simples, o lucro é a diferença entre esses fatores, mas o desafio em buscar eficiências constantemente não deve ser ignorado.
  3. Apurar diariamente o resultado. Se desviarmos a atenção dos movimentos diários dos negócios não conseguiremos atingir as metas.
  4. Levar ao cabo o princípio de ativo saudável. Cuidado com o ativo desnecessário, se houver, a solução é desfazer dele o quanto antes.
  5. Considerar a elevação progressiva da capacidade. Definição de metas esticadas com um time aguerrido e com disposição, que quando alcançado o objetivo possa ser possível definir metas mais elevadas.
  6. Divulgar a meta para todos. A meta deve ser compartilhada com todos e assimilada a ponto de esta ser também a meta de cada um. Os resultados diários também devem ser desdobrados, tanto vendas como produção, isso eleva o senso de participação de cada um, produzindo energia para concretização da meta.

Para desenvolver trabalho diário:

  1. Elevar a consciência de resultado positivo. Indicadores de rentabilidade, valorizar cada coisa que utiliza-se na empresa, mesmo clips ou lápis. 
  2. Evitar o desperdício. Precisamos economizar sempre, mesmo com folga no caixa. Controlar nossas despesas sempre para o mínimo.
  3. Adquirir somente o necessário no momento necessário. 
  4. Seguir com afinco o principio de presença In Loco (Guemba). Dizem que no Guemba há uma montanha de tesouros.
  5. Valorizar a experiência. Somente com a teoria não se consegue criar nenhum produto, a experiência é indispensável no desenvolvimento de tecnologia.
  6. Fabricar um produto perfeito. O produto reflete o sentimento (Kokoro) de quem o produziu. 
  7. Atentar-se à mensagem que os produtos nos enviam. Ao surgir um problema, devemos observar atentamente todo o processo e rever silenciosamente o efeito com uma visão sincera.
  8. Seguir com afinco o principio de 1 x 1. Devemos tratar item por item, com um gerenciamento rigoroso  da lucratividade.
  9. Seguir com afinco o principio de dupla checagem. Todos cometem pequenas falhas, para minimizar a ocorrência de falhas e irregularidades se faz necessário a criação de um sistema que envolva multidepartamentos e que atue com eficiência.
  10. Abordar as coisas de forma simples. Mesmo diante de fenômenos complexos, devemos abordar de forma mais simples possível para atingirmos a sua essência.

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Espero que tenham gostado do resumo, favor deixar suas críticas, sugestões ou elogios.

 

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O Sentido da Vida

O sentido da vidaCerta vez, ganhei um presente, pensava eu que eram apenas fotos de animais “bonitinhos” com frases isoladas. Confesso que gostei do presente mas o deixei na gaveta, até que certo dia lhe dei a atenção devida e o li com tempo e paciência.

Me deparei com uma cena inusitada, o livro “me fisgou”, li todas as páginas em sequência, até o final, e durante todo o processo me senti muito bem, muitas vezes me peguei sorrindo sozinho.

O interessante é que o livro “O Sentido da Vida” não te traz nenhuma afirmação, apenas PERGUNTAS, e é a reflexão que te fortalece.

Não leve a vida tão a sério. Você não vai sair vivo dela mesmo.” (Bob Marley)

Bom, seguem algumas provações com base no texto do livro:

  • Por que nos impressionamos e ficamos obcecados com coisas e feitos de grandes dimensões? Será que as coisas pequeninas e simples não tornam a nossa vida melhor?
  • Por que afirmarmos que a individualidade é a essência da nossa maneira de ser? Se a nossa individualidade é tão importante, por que as diferenças e discordâncias com os outros nos aborrecem tanto?
  • Por que gostamos de sentirmos membros de uma espécie e ao mesmo tempo nos distanciamos tanto dos amigos e familiares?
  • Por que nos preocupamos em exagero com a nossa aparência? Há quem diga que o sentido da vida é adquirir sabedoria, mas se isso é verdade, por que os sábios se vestem tão mal?
  • Seria o sentido da vida apenas constituir família e deixar descendentes? Aquela história da preocupação da célula e do mapa genético se perpetuar. Então, significaria que toda a nossa existência é determinada pelo impulso sexual?
  • Todas as teorias populares, trazem o AMOR. Parece fazer mais sentido, concorda? Este parece ser uma força poderosa, que dá sentido real a vida. Aquela força que te dá a mensagem: “Por isso vale a pena viver e morrer!”
  • Mas se o amor é tão importante, por que optamos por discutir tanto com as pessoas que amamos?
  • O que você realmente ama de verdade?
  • Você se deixa consumir por uma rotina maluca, com muitas atividades que o distraem e te tiram de um caminho mais feliz? A resposta da razão pelo qual você veio ao mundo pode estar ligado as coisas que você ama e deveria priorizar?

O livro recomenda você por a mão no peito e sentir as batidas do seu coração. Diz que é o relógio da sua vida tiquetaqueando a contagem regressiva do tempo que lhe resta. Um dia ele parará. Portanto, não dá pra perder tempo, vá atrás do seu sonho com energia e paixão enquanto você pode.

Mas, tristemente, muitos de nós são preguiçosos demais, preocupados com o que os outros pensam ou com medo demais de mudanças. Estas pessoas esquecem que os enganos são parte da vida.

Mas vá em frente! Pois sabe de uma coisa!? Talvez se você ouvir seu coração e usar a cabeça, nunca estará errado. Quem sabe ….

E no amor é assim, não existe moral da história!” (Martha Medeiros)

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Cultura vs Engagement

cultura engagement

No livro How Google Works, com uma leitura focada em princípios de GESTÃO DE PESSOAS, pode se aprender muito sobre CULTURA e ENGAGEMENT.

A Google coloca como missão organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil, de servir aos usuários finais e assim fazer do mundo um lugar melhor. Baseado neste principio:

  1. As propagandas deveriam aparecer com base na relevância com o assunto pesquisado e não apenas no quanto o anunciante estava disposto a pagar e no número de cliques que recebiam.
  2. Assim, as pessoas entenderiam as prioridades da empresa e saberiam que tem a liberdade para tentar resolver qualquer grande problema.
  3. Foco absoluto no usuário: usam o exemplo do controle remoto para TV que tem um “user experience” horrível em geral, se analisar o caso do botão mudo que é minúsculo e o de paper view eh grande e em cor diferente.
  4. Não foi a cultura do Google que transformou as pessoas, foi a cultura que atraiu as pessoas que este tipo de perfil. Cultura de autoseleção, pessoas que acreditam nas mesmas coisas que a empresa são atraídas para trabalhar nela.
  5. Estas pessoas tem “cultura” semelhante, se inspiram na liderança desde os pequenos atos, como acontece quando juntam pedaços de papel do chão, CEO que pega jornais na porta e distribui, fundador que limpa balcões etc. Líderes que demonstram natureza igualitária.

Fortalecem a importância do encontro de idéias para estimular e acelerar a INOVAÇÃO:

  1. Projetaram escritórios para maximizar a energia e interação entre as pessoas. A mistura originada ao aglomerar as pessoas é combustível.
  2. As pessoas tem que trabalhar no escritório, não em casa. Estimulam o encontro fortuito.
  3. Mantém a empresa plana. Ter acesso aos tomadores de decisão estimula os criativos.
  4. Tomam as decisões sem ter todos os detalhes. Sabem que na sequencia a equipe fará os ajustes, terão soluções melhores mantendo-se fiel às mudanças.  A equipe fica mais envolvida e a mudança tem maior sucesso porque os criativos ajudaram a criar o resultado.
  5. Sugere-se “fugir dos protocolos”, das aprovações desnecessárias. Gestores tentam controlar o CAOS com mais protocolos, mas as vezes o caos é importante.
  6. Tomar riscos. Apresentaram o case do YOUTUBE no qual não dava pra lançar pois o cronograma não permitia, precisavam de mais testes. Disseram SIM, lançaram e foi um sucesso! Os ajustes foram feitos depois.

Uma coisa bem legal é o conceito de HIPPOS, defendem ter muito cuidado com os “Highest-Paid Person’s Opinion”:

  1. O que importa é a qualidade da ideia, não de quem a surgiu.
  2. Defender o criativo, que arrisca ser atropelado ao defender a qualidade e o mérito.
  3. As pessoas precisam se manifestar para a meritocracia funcionar, a cultura deve estimular o “discordar”.
  4. Os funcionários se sentem valorizados e fortalecidos, acabam com a cultura do medo.
  5. Se houver falhas, ninguém deve ser punido. Pregam o valor da experimentação e as virtudes do fracasso.

Referente as equipes e suas organizações, pregam:

  1. Não há tempo para micro gerenciar.
  2. Citam a regra das 2 pizzas de Jeff Bezos (Amazon). Evitam fazer reuniões em que duas pizzas não seriam suficientes para alimentar todo o grupo, pois quanto mais pessoas numa reunião, menos produtivo o encontro será.
  3. Equipes pequenas realizam mais, gastam menos tempo com politicagem e se preocupam menos com quem leva o credito.
  4. Sao como famílias, podem discutir e brigar, depois rapidamente se acertam, trabalham e conjunto quando o prazo fica apertado.
  5. Identifique funcionários que tem maior impacto e organize a empresa em torno deles. Não sei baseie em experiência ou função, mas sim no entusiasmo e desempenho.
  6. Pessoas sensacionais em geral são difíceis, diferentes. Devem ser toleradas e protegidas. Se houve ego extravagante, garanta que os resultados sejam do mesmo tamanho.

“Seu cargo o torna um gerente, sua equipe o torna um líder.” (Debbie Biondolillo)

O trabalho faz bem! O equilíbrio entre trabalho e vida é algo importante, mas não algo que possa ser separado:

  1. As melhores culturas encorajam e permitem que as pessoas fiquem sobrecarregadas, com muitas coisas “interessantes” pra se fazer.
  2. Você como gestor tem a responsabilidade de manter o trabalho parcialmente intenso e pleno.
  3. Dê responsabilidades e liberdade para as pessoas. Peça que se responsabilize pelas próprias tarefas, eles farão o que for necessário para realizá-las.
  4. Lugar deve ser DIVERTIDO. Líderes devem ter senso de humor, Ralar sem se divertir é complicado – as pessoas precisam curtir o ambiente.
  5. Precisa de ambiente permissivo, sem as preocupações do tipo – “e se isso vazar?”.  Diversão quanto mais se tem, mais se trabalha!

“Burnout – não é causado pelo excesso de trabalho, mas sim pelo ressentimento de ter que abrir mão do que de fato importa para a pessoa.” (Marissa Mayer)

Tirei esse texto resumido do livro da Google mas parece que são de palavras e do dia a dia da empresa no qual trabalho. Me chamou muito a atenção quanto ao encontro de idéias e princípios de gestão.

Espero que esse texto o ajude na reflexão quanto a gestão dos seu time.

Deixe seus comentários!

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Google como inspiração

howgoogleworks

Do livro “How Google Works“, você pode tirar muitas reflexões, seguem os principais pontos que extraí do livro:

1 – Pensar no Impossível

Uma empresa que era apenas uma startup em 1999, já tinha uma visão desafiadora, a de organizar toda a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil. Agora olhe abaixo os projetos e o quanto eram desafiadores para a época:

 – Imagine poder baixar toda a internet, assim nasceu o sistema de busca. Não somente conteúdo em páginas, mas uma biblioteca global, com imagens, livros, músicas, vídeos, etc. Além disso projetos em paralelo, como o mapeamento de todas as ruas do planeta, machine learning para termos uma plataforma completa considerando realidade aumentada no futuro.

– E-mail gratuito e poder gerenciar toda a troca de informações do mundo, algo impossível na época com Gmail, pelas restrições de armazenamento.

– Liderar o mercado de sistemas operacionais para dispositivos móveis, na época os notebooks com Microsoft. Anos depois do nascimento da empresa explodiram os smartphones e o Android ganhou o share de mercado com uma plataforma de código aberto.

– Ter o navegador mais utilizado, batendo de frente com o IE da Microsoft.

– Disponibilizar um conjunto de aplicativos para bater de frente com o MS Office, gratuito ao consumidor, fugindo do velho conceito de licenciamento de software.

– Apostar no futuro como ferramentas de Machine Learning e liderar frentes de inovação, como ferramentas de tradução online e em projeto carros auto guiados.

Estes exemplos mostram que é sim possível trabalhar com o conceito de  Moonshot Thinking, as metodologias aplicadas no Google para Design Thinking e Active Engagement são as bases do processo criativo e sustentam os pilares de inovação. Combinados engajamento e produtividade para o intercâmbio de ideias, temos uma forma transformadora e ambiciosa de pensar, sempre buscando resultados 10X maiores em vez de 10%. Para melhorar um produto ou processo 10X, é preciso reinventá-lo, não basta otimizá-lo, neste caso a estratégia é fugir das evoluções incrementais.

Para pensar e refletir. A Google diz não tentar melhorar uma maneira já existente de fazer algo, querem começar do zero, mas fazem 500 mudanças no sistema de busca por ano! 🙂

Bom, mas o fato é que eles fogem sim dos incrementos, isso é vital para uma empresa inovadora, esse tipo de mudança gradual ao longo prazo leva à irrelevância com o passar do tempo. Especialmente em tecnologia, já que a mudança em si tende a ser revolucionária e não evolucionária. Portanto precisam apostar muito no futuro e trazer mudanças surpreendentes, o que é muito difícil, motivos:

– Estamos no Século da Internet, onde a tecnologia movimenta o cenário dos negócios e acelera o ritmo das mudanças.

– Não miram exatamente no mercado vazio, mercados com potencial de crescimento são melhores. Ex: o Google chegou atrasado a festa dos mecanismos de busca.

– A Internet tornou a informação gratuita, abundante e onipresente. A computação em nuvem proporcionou um poder computacional e de armazenamento quase infinitos e barato.

– Os dispositivos móveis e as redes tornaram o alcance global e a conectividade continua amplamente disponíveis. Nunca investiu-se tanto em tecnologia de software quanto após o “bum” das tecnologias móveis e acesso as plataformas em nuvem. Não vai demorar para termos 5B de pessoas conectadas.

O mais surpreendente é que estas coisas surpreendentes não são surpreendentes. Pouco tempo atrás tínhamos mapa em papel, telefones presos à parede, TVs gigantes com antenas, máquinas fotográficas com rolos de filme, etc. Hoje as inovações espantosas são muito comuns.

Curiosidade – o livro destaca que a inovação precisa de um “primeiro seguidor”, ele que transforma o maluco em visionário. Eu concordo!

2 – Pensar no dinheiro “depois”

Empresas sempre tiveram foco em redução de custos. No entanto, importante se atentar que a internet causou uma queda grande nos custos de transação, neste caso, o foco deveria estar na criação de melhores produtos.

A Google quando nasceu, sabia que poderia rentabilizar em cima do sistema de buscas com anúncios, mas precisavam ser extremamente eficientes e eficazes. Não tinham dimensão de quanto ganhariam em fase inicial dos projetos, seguem alguns exemplos:

– Quando decidiram ir à briga com a gigante Microsoft com o software de navegação, acreditavam que se o Chrome fosse  mais seguro e mais rápido, venceriam. Mas não tinham um estudo de caso perfeito, costumam dizer que “não se preocupam com a receita, primeiro no produto e foco absoluto no usuário”.

– O Gmail, Youtube e o pacote aplicativos Office (Google Documents) promessas com custo altíssimo de largada, foram uma verdadeira aposta para o futuro. Interessante ressaltar o modelo diferente que iniciaram, em nuvem e sem licenciamento para pessoa física, mas a Google sempre entendia que as respostas de como rentabilizar um produto, viriam depois. O mais importante é que o produto fosse ótimo e que o consumidor aceitasse com excelência.

– Sergey comprou a startup pq tinha um produto de mapas mas não sabia como ganhar dinheiro. Depois virou o Google Earth. Somente captaram resultados pelo aumento de pesquisas e também pq instalavam junto o Google Bar, mas tudo isso foi descoberto depois.

Excelência do produto é vital, não o controle da informação ou o domínio sobre a distribuição e nem um poder avassalador de marketing. Diferente do passado, hoje temos três fatores de produção que são muito baratos – informação, conectividade e poder computacional.  Empresas costumavam transformar produtos em vencedores por meio de um marketing avassalador ou pela força da distribuição, bastava criar um produto descente.

No velho mundo, você dedicava 30% do seu tempo para criar um bom serviço e 70% berrando sobre ele. No novo mundo isso se inverte.” “(Jeff Bezos, Amazon)
.

A Google se coloca diferente, como uma empresa que não tem medo do impossível, que sempre acredita em primeiro entregar ao consumidor serviços ótimos e depois resolver a questão do dinheiro. Entenderam que precisavam manter uma excelência contínua de produtos incríveis. Esta foi a fórmula de sucesso. Foram aperfeiçoando seu conhecimento quanto a marketing, entenderam que as propagandas deveriam aparecer com base na relevância do assunto pesquisado.

Novas tecnologias nascem primitivas e para problemas específicos, portanto deve-se ficar “antenado” para “aumentar o alcance” e trazer para uma realidade ao alcance de todos. Exemplos estão na evolução dos motores a vapor usado em minas antes de ser usado em locomotivas. O Radio era meio de comunicação entre os navios e terra firme. Internet era apenas uma rede entre cientistas e acadêmicos para compartilhar pesquisas.

Antigamente as empresas cresciam devagar e de forma metódica. Hoje em dia é preciso “escalonar“, significa crescer rápido e de forma global. A rede telefônica atingiu 150MM aparelhos em 89 anos. Facebook 1B em 8 anos. Android 1B em 5 anos. Crie Plataformas, os líderes mais bem-sucedidos no século da Internet serão aqueles que entenderem como criar plataformas e fazê-las crescer depressa.

3 – Focar no Consumidor

Os consumidores nunca tiveram tantas opções e tanta informação (ex youtube tem mais de 1M de canais, a Amazon vende mais de 50k livros apenas sobre liderança). Peter Drucker já dizia, o objetivo de uma empresa é “criar clientes”, simples assim.

Para a Google, mais usuários = mais anunciantes, um modelo diferente para a época.

Concentre-se no usuário. Idéias simples, mas com grande impacto. Gosto de mencionar o  Google Instante – sistema de busca enquanto o usuário está digitando, um algoritmo que é transparente ao usuário mas com grande efeito. Ao contrário, podemos analisar na indústria de TVs que fornecem controles remotos com “botão mudo minúsculo”, eles parecem entender pouco as necessidades do consumidor.

Outro exemplo está no Adwords, foi fundamentado na ideia de que propagandas poderiam ser classificadas e disponibilizadas em uma página de acordo com a sua relevância como informação para os usuários, em vez de simplesmente se basear em quem estava disposto a pagar mais.

Dar ao consumidor o que ele quer é menos importante do que dar o que ele ainda não sabe o que quer.  Sugerem não apostar em pesquisas de mercado, apostam em inovação técnica. Os melhores produtos aos consumidores alcançaram sucesso baseado em fatores técnicos.

Consumidores em geral, gostam de plataformas abertas trocando controle por escalonamento e inovação. A liberdade facilita a saida do consumidor, você tem que ganhar a lealdade do usuário pelo mérito. Se houver risco com qualidade, mantenha a plataforma fechada, a exceção está no GOOGLE SEARCH.

Cuidado em seguir a concorrência, por muitos motivos ela sempre chama atenção dos executivos. Tal fixação leva a um espiral sem fim, de mediocridade. Líderes gastam muito tempo observando os competidores e desenvolvem apenas mudanças incrementais, de baixo impacto. Discuta sobre estratégia com a sua equipe, pegue informações sobre o mercado mas gere discussões sobre produto e plataforma.

4 – A Importância dos Criativos Inteligentes

As empresas precisam de pessoas que pensem, critiquem, desafiem o modelo ao invés de ter que aceitar a sabedoria vigente.  Um mantra usado nas discussões – “fale com os engenheiros”, existiu pela importância de um time forte baseado nos seguintes conceitos:

– Priorizar sempre os funcionários. Atrair e liderar os melhores engenheiros, ter o melhor time e depois “sair do caminho”,  era a única maneira de ter sucesso. Perfil  curioso, independente, acessível, comunicativo e energético. O papel do líder não é o de defender a organização, mas defender o criativo inteligente, ajudando-o a ter uma perspectiva de mais longo prazo e a construir um plano de carreira sustentável.

– Dar poder e liberdade a este time, para pensar e tomar decisões. Estimule o time a grandes desafios, faça com que não tenham medo de errar – pelo contrário, possam aprender com os erros. Buscam muita inspiração no esporte, pois ensina muito o quanto os atletas aprendem com as derrotas. A economia da abundância permite a experimentação e o custo do fracasso, se realizado de forma correta.

– O fato de terem pessoas apaixonadas fazem que o trabalho seja também como um hobby. O sucesso está em tornar as equipes ambiciosas, contratar pensadores independentes e ter objetivos grandes apostando no futuro. A Google estimula 20% do tempo das pessoas para investir em algo “divertido”. Ah, geralmente 0 20% é 120% do tempo. Investir parte do tempo em coisas novas e projetos audaciosos geram resultado, e sei o quanto isto é difícil no modelo tradicional, pois estamos sempre “emburacados” na rotina, preocupados com as metas, etc. Para refletir, seguem alguns projetos que nasceram desta ideia:

– Temos o Google Books que foi pensado em ter toda a informação de livros do mundo disponível, apontaram uma câmera e ligaram um metrônomo, descobriram que era viável mas MUITO audacioso.

– Google Street View com situação similar, fizeram um passeio pela cidade com uma câmera e apresentaram o projeto, hoje já são mais de 8M kms de ruas mapeadas.

– Google Suggest, preenchimento automático das URLs, foi desenvolvido no “tempo livre” de um criativo. O protótipo atraiu o interesse de outros engenheiros que se juntaram ao projeto.

– Planejamento feito sempre pela equipe, pelo conjunto. Equipes pequenas são melhores (regra de no máximo 2 pizzas, Jeff Bezos, Amazon), demandam menos micro gestão, realizam mais, gastam menos tempo com burocracia e politicagem, são como famílias que podem discutir e depois rapidamente se acertam, trabalham em conjunto quando tem problemas.  A máxima é investir na equipe, não no plano, pois o plano terá erros e portanto as pessoas tem que estar certas. Equipes bem-sucedidas notam as imperfeições no plano e se ajustam, o plano é fluído, a fundação é estável. Dê ao time os elementos fundamentais, eles concluirão o resto.

– Priorizam background técnico, pois além de técnicos (inteligência analítica) tem “tino” comercial e uma saudável veia criativa. São encorajados a exercitar as próprias ideias, discordam e falam sem medo, são multidimensionais.

– Identificam os funcionários que tem maior impacto e organizam a empresa em torno deles. Não se baseiam em experiências ou funções anteriores, mas sim no entusiasmo e desempenho. Ah, importante frisar que pessoas sensacionais são difíceis, diferentes. Devem ser toleradas e protegidas. Se houve algo extravagante, garanta que os resultados sejam do mesmo tamanho.

– Contratar pessoas melhores do que você! A Google estimula isso, o livro destaca a seguinte reflexão: Dos seus funcionários, quem você não gostaria de enfrentar numa partida de xadrez? Um programa de perguntas e respostas.  Boas perguntas para identificar se você está trabalhando com um time inteligente, independente da especialização ou experiência. Teste na sua avaliação a capacidade de resolver problemas e o quanto o candidato é curioso, a curiosidade sempre eleva as pessoas.

Seu cargo o torna gerente, sua equipe o torna líder.” (Debbie Biondolillo, Apple HR)

5 TOP Dicas

– Seja um ótimo “roteador”

Responder velozmente é uma virtude.

Atenção para a forma como a empresa se comunica. No modelo tradicional as informações são acumuladas como um meio de controle e poder. Hoje, contratamos as pessoas para pensarem e a informação é a verdadeira força vital dos negócios. Os líderes mais eficientes não acumulam informações, eles compartilham. O objetivo da liderança seria otimizar o fluxo de informações pela empresa, o tempo todo, todos os dias.

Puxe conversa sempre. O objetivo mais sutil é simplesmente se aproximar das pessoas. Permita, criando ambiente favorável onde por exemplo funcionários que acabaram de sair da faculdade possam chegar até os diretores, na mesa, na máquina de café ou no refeitório. A conversa ainda é a forma de comunicacao mais importante e valiosa. Estamos conectados 24hxdia, não substitua a comunicação por tecnologia.

A empresa de manter um processo de comunicação aberta, como exemplo do Google vem o relatório do conselho de administração. Repleto de dados e ideias sobre os negócios e produtos, e muitas dessas informações não são para consumo público, mas após a reunião do conselho, pegam o material e compartilham com todos os funcionários.

O CEO apresenta os slides pessoalmente, mesmo material usado ao conselho, para todos os funcionários. Isso ajuda pq mantém todos na estratégia, fortalece o processo de confiança e ninguém reclama de não saber o que acontece na empresa. Interessante também os dados das intranets, que possuem informações sobre praticamente todo produto em desenvolvimento e os KPIs corporativos de sucesso.

– Saiba quando tocar o sinal

Importante ter um único tomador de decisão, um dono. Debates podem levar horas, perda de tempo em muitos casos, portanto talvez seja necessário alguém que faça e siga em frente para depois corrigir a direção. Aplique o PIA – Paciência, Informação e Alternativa. Como líder, tente tomar poucas decisões, escolha as relevantes e deixe o time andar.

Antes os profissionais prosperavam num mundo engessado, desenvolviam um profundo conhecimento em um conjunto restrito de habilidades (ex: o cara da planilha).  A maioria das empresas tem em vigor processo criados há mais de um século, numa época em que erros custavam caros e apenas executivos importantes tinham informações completas.

Hoje, não existe uma tarefa específica, as pessoas não tem acesso limitado e não são contidas pelas definições de cargo.

– A importância da rotina e disciplina nas reuniões

Se o assunto for relevante, a frequencia mantém todo mundo a par da importância da decisão (faça reuniões todos os dias). Devem ter tamanho gerenciável, limites entre 8 e 10 pessoas. Se mais pessoas precisam saber o resultado, desdobre depois. Menos gente é sempre melhor.

Muito cuidado com os “cabeças de mola” (Bobblehead yes). Eles predominam nas reuniões. Tem uma tendência desagradável de reclamar e se queixar quando saem da reunião e não apoiam em nada, mesmo quando concordam.

Muito cuidado ao fazer com que todos digam SIM em uma reunião, não quer dizer que você tenha consentimento. Consenso às vezes precisa do conflito pra se chegar à melhor ideia. As pessoas precisam discordar e debater suas opiniões em um ambiente aberto. Fique atento aos quietos, chame eles pra se pronunciarem pois podem estar com receio de discordar em público. Há criativos tímidos, mas brilhantes.

Sabedoria ao usar email. Responda logo, seja ágil nas respostas, gera um ciclo positivo de comunicação. Seja conciso. Limpe sua caixa de entrada com frequencia:  OHIO – Only Hold it Once). Veja por ordem, o último é sempre o primeiro. Os mais antigos são resolvidos sozinhos. Não berre. FACIL DEMAIS

– Lei do Cowboi

Vem das cenas em que um caubói monta no cavalo e para, a fim de observar a situação e decidir o que fará em seguida. Advogados são treinados a se preocupar com o passado pois eles não gostam de riscos. No século da internet, os negócios evoluem em um ritmo muitíssimo mais rápido que os das mudanças jurídicas. Em certas situações, basta “montar no cavalo”. Recomenda-se que o jurídico faca parte integrante das equipes que demandaram dele, e não convocado de vez em quando.

Para ter impacto e influência e escolher os caminhos, a liderança precisa conhecer os detalhes. A essência do ser humano está em fazer perguntas, não em respondê-las. Pergunte o tempo todo, nas conversas: O que vc está fazendo? Que problemas tem? Uma liderança que não põe a mão na massa não serve mais, você precisa conhecer os detalhes.

– Cuidados com o processo de Inovação

Defendem o mantra do Steve Jobs – você deve ser comandando por ideias e não por hierarquias, mas começar uma ideia é fácil, difícil é conseguir apoio, pois existem muitos anticorpos que lutam contra.

A perfeiçao é inimiga do ótimo. Ideias nunca são perfeitas ao sair do forno, não há tempo para esperar até que elas cheguem a perfeição. Crie o produto, veja como saiu o projeto e implemente melhorias. Empresas mais rápidas neste processo vencerão. No entanto, não lance produtos ruins, apenas limite as funcionalidades. Descubra alguma forma de deixar as pessoas experimentarem os produtos e use os dados para melhorá-lo.

A Google evita usar pesquisas de mercado ou análise competitiva. As inovações são medidas na Google em 5 eixos –  Velocidade, Precisão, Facilidade de Uso, Abrangência e Novidade. Mas sempre com foco absoluto no cliente-consumidor.

Fracasse bem. Produtos nascem e morrem, isso é normal, mas transforme as ideias, não as mate. O fracasso não deve ser comemorado em relação ao time, mas é uma espécie de medalha de honra, pois pelo menos eles tentaram. Um bom fracasso é quando você o cancela rápido. Na Amazon, Jeff Bezos cita que planta sementes e as deixa crescer, somos muito teimosos. Num horizonte maior você se empenha em empreendimentos que jamais faria.

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Construindo um time melhor

Mauro silva 3

Tive a oportunidade de trabalhar em um projeto com intuito motivacional, e escolhemos como referência e fonte de inspiração o volante Tetracampeão do Mundo pela Seleção Brasileira – Mauro Silva.

Foram tantos os aprendizados desta experiência que escrevi este artigo com 3 intuitos:

– Divulgar o histórico de sucesso deste jogador;

– Compartilhar as lições de um campeão;

– Homenageá-lo com testemunho pessoal.

10  fatos importantes do histórico profissional:

1- Exceto a seleção brasileira, sempre jogou em “time pequeno” e fez estes times “grandes”, “campeões com títulos marcantes!

2- Foi campeão Paulista pelo Bragantino em 1990! (único titulo no Brasil). Em 1991, pelo mesmo Bragantino, foi vice-campeão Brasileiro!

3- Muito cedo foi para a Europa onde fez uma carreira de sucesso na Espanha. Jogou pelo Deportivo La Coruña, na época um time de segunda divisão;

Mauro Silva 2

4- Teve a primeira convocação pela Seleção Brasileira em 1990;

5- Em 1993, nas Eliminatórias da Copa do Mundo, ajudou o Brasil na difícil classificação.

Foi dele o passe ao Romário para fazer um dos gols mais incríveis do futebol mundial, um golaço contra o Uruguai no último jogo da competição, o segundo no histórico jogo do Maracanã.

Mauro Silva anulando o Baggio!

Mauro Silva anulou o Baggio!

6- Nos EUA (1994) o seu maior título, a taça de campeão da Copa do Mundo da Fifa pela Seleção Brasileira, foi titular absoluto, jogou todos os jogos e marcou o craque Roberto Baggio na final. O Brasil estava há 24 anos sem vencer, toda uma nova geração comemorou pela primeira vez um título mundial de Copa do Mundo.

7- Contribuiu para colocar o LaCoruña entre os grandes na Espanha (como Barcelona e Real Madrid). Foram campeões da Copa do Rei (1994/95 e 2001/02), Supercopa (1995), Liga Espanhola (1999/00), Supercopa (2000 e 2003), e também vice-campeão espanhol em 1993/94, 1994/95 e 2000/01.

8- Campeão da Copa América em 1997 pela Seleção Brasileira.

9- Recebeu méritos como Bola de Ouro pela Revista Placar em 1991 e Bola de Prata em 1992. Ganhou o “Don Balon” na liga espanhola, prêmio da European Sports Magazines, uma associação de várias revistas esportivas da Europa.

10- Parou de jogar aos 37 anos e até hoje é ídolo na Espanha e em La Coruña. Foi carregado pela torcida na sua despedida e ganhou do prefeito uma homenagem que o imortalizou – uma rua com o seu nome.  Atualmente é acionista de uma incorporadora imobiliária de origem espanhola chamada Procupisa, continua  presente no mundo esportivo e trabalha com palestras com foco no trabalho em equipe.

Mauro Silva como capitão contra Real Madrid e Barcelona pelo La Coruna

Mauro Silva como capitão contra Real Madrid e Barcelona pelo La Coruna

A S     L I Ç Õ E S

Bom, nessa incrível jornada de conquistas foram muitos os fatores de sucesso, para sua análise e reflexão seguem 8  pontos abordados por ele em nosso encontro:

1) Seja constante no esforço

Nunca podemos achar que já estamos bem e que não há algo ainda pra ser melhorado. Não podemos nos satisfazer no status atual, precisamos sempre “abrir o gap” e continuar evoluindo.

2) O time é a estrela

Jogar para o time é essencial. O Mauro Silva nunca fez um gol pela seleção, mas transpirou muito, sempre preocupado com a marcação e em dar ótimos passes para os atacantes, focando na busca dos resultados. Exalta que o ego individual não pode “falar mais alto” que a importância do coletivo. Frase marcante:

Quem tem que brilhar é a seleção!” (Parreira)

Fato curioso: você sabia que houve um único chute na trave na final da Copa do Mundo contra a Italia em 1994? Foi do Mauro Silva! Este gol ele merecia 🙂

3) A humildade prevaleceMauro Silva infância

Demonstrou intensamente nas suas atitudes e comportamento. Claramente este adjetivo é uma de suas fortalezas, está no seu caráter e nos valores que o acompanham. Com certeza foi essencial à sua personalidade no atingimento de metas tão desafiadoras.

4) TEM QUE DAR, não tem outro jeito

Acreditar é o primeiro passo para fazer acontecer. Mencionou as dificuldades de marcação, imaginem – ele jogou contra Maradona, Zidane, Raul, Ronaldinho Gaúcho, Romário e tantos outros grandes craques. Se ele não acreditasse e muito, poderia ter sua auto estima declinada e com certeza os resultados seriam medianos. Mas foi o contrário, acreditava sempre!

Partidas duríssimas … calor extremo … prorrogação … cansaço … bola lançada ao atacante adversário …, sabia que podia,  tinha que dar, não havia outra saída!

5) Grandes conquistas requerem grandes sacrifícios

São inúmeras as histórias que este craque de bola tem pra contar, ele fortalece no discurso a relação entre o treino e foco intenso com os resultados alcançados. Enquanto outros jogadores não tinham a mesma disciplina com horários, compromisso com treinos, etc, outros se sacrificavam ao máximo e como dizem outros treinadores – quando o treino é duro o jogo fica fácil.

6) O treino fora de campo é muito importante

Aprendeu com o Parreira, um líder no qual ele respeita muito, sobre a importância de ser um bom profissional fora das linhas do gramado. Por ser muito dedicado, e saber ouvir muito bem, outra enorme qualidade, seguiu o conselho – assim podia contribuir mais ao time, com “tanque reserva” nas horas difíceis. Até hoje cuida da saúde de forma exemplar – nos esportes, alimentação e rotina do dia-a-dia.

Podemos até perder dentro de campo, fora dele nunca.” (Parreira)

7) Pessimismo é alta traição

Gente, é possível ser campeão Paulista ou Brasileiro pelo Bragantino? Em um time de segunda divisão espanhola, ganhar títulos nacionais e europeus levando em conta adversários como  Barcelona, Real Madrid e outros?

Para o “otimista“, existe equivalência entre as palavras problema e oportunidade. Ou seja, uma relação com o mesmo valor de verdade, quanto maior for o desafio, maior é a oportunidade. Como líder o Mauro Silva lutava para contagiar o time. Seguindo este pensamento e influenciando a todos pelo exemplo, aceitou os desafios para construir times campeões. Afinal, grandes desafios são coisas pra gente otimista e corajosa, concordam?

8) Colaboração genuína

O Mauro exalta uma característica interessante dos jogadores de futebol, já repararam que durante uma partida os jogadores não pedem ajuda um ao outro? Cada um tem a sua função dentro de campo, mas quando estão com dificuldades simplesmente recebem apoio dos outros através do interesse genuíno! Existe um lance no qual o Dunga, na final das eliminatórias da Copa em 1993, contra o Uruguai, aos 42 min do segundo tempo, cansado, está entre 4 uruguaios e sozinho tentando pegar a bola, o Mauro Silva aparece, rouba a bola, e faz o lance para o segundo gol do Romário – gol que garante a classificação para o mundial. Exemplo de colaboração genuína com foco em resultado!

E n c e r r a n d o …

Esta foi uma amostra dos grandes conselhos deste vencedor, campeão em tudo, não somente no esporte, mas na vida – pois possui uma linda família. Atualmente é empresário-investidor e um palestrante hiper motivado. Ah, palestras ótimas, recomendo assistir: Construindo um time melhor.

Presente

Finalizo com meu testemunho pessoal.

“Conhecer o Mauro Silva me agregou muito, saber que quando temos um objetivo e persistimos nele – vale a pena, pois quando a gente acredita ‘que dá’, muitos fatores conspiram ao nosso favor e mostra que nós temos muito mais poder do que imaginamos. Resultados incríveis podem acontecer deste princípio.”

E aconteceram pra mim. Obrigado Mauro!!!

Foto retirada do site maurosilva.com

Foto retirada do site maurosilva.com

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Treinamento

Treinamento

Sempre tive interesse em treinamentos, em conhecer técnicas que garantam o maior aprendizado e retenção do conhecimento.

Começarei pela palavra Andragogia – é a arte ou ciência de orientar adultos a aprender, em contraposição à pedagogia, que se refere à educação de crianças (do grego paidós, criança).

A andragogia é um conceito amplo de educação, é considera a EXPERIÊNCIA como a fonte mais rica para a aprendizagem de adultos. Estes são motivados a aprender conforme vivenciam NECESSIDADES, e ficam mais dispostos a aprender quando a ocasião exige algum tipo de aprendizado relacionado a situações reais de seu dia-a-dia.

Portanto serei bem andragógico neste artigo, seguem abaixo os principais pontos:

1Organização: os participantes não gostam de muitas regras mas também não toleram bagunça. Não gostam de um sistema rígido, preferem um ambiente descontraído mas organizado. Portanto, evite a pressão nos alunos, coloque-as em você mesmo conduzindo o processo através de uma sala limpa e com todos os materiais necessários postos previamente. Siga os horários com extrema disciplina, evite que as pessoas utilizem celulares ou notebooks em sala – um bom recado no início e flexibilidade para que as pessoas possam sair e voltar podem ser uma boa solução.

     1.1 Início: chegue antes da turma, prepare a sala, recepcione as pessoas.

   1.2 Música: Coloque música na sala antes de começar o treinamento, isso reduz a tensão. A música também estimula o sentido da audição, e quanto mais sentidos envolvidos, maior será a retenção.

     1.3 Água: importante ter garrafas de água durante o processo, assim  evitará a “boca seca”. Terá  melhor discurso, seu humor será outro e não terá pressa em falar.

2- Chave do Sucesso: João Cordeiro – especialista na área diz que 50% do sucesso em um treinamento vem da postura do apresentador, 40% do planejamento/treino feito para o curso e apenas 10% do conteúdo. Portanto, TREINE com interesse genuíno, mostre isso através de uma boa PREPARAÇÃO – por respeito a turma e pela sua auto-estima, pois fará um ótimo trabalho.  Portanto, treine, treine, treine e treine. O “requisito mínimo” é que para cada 1 hora do curso, você faça uma hora de treino.

   2.1 Faça uma boa abertura, se apresente e evite frases do tipo: “para quem não me conhece …“,  “vim falar rapidinho…“. O objetivo do curso deve estar claro, use a criatividade e faça um ótimo começo, pois é sempre de alta expectativa para os participantes o início do curso. Aproveite e não perca a platéia, faça com que os primeiros minutos sejam incríveis e você terá a audiência de todos por muito tempo.

    2.2 Recados: aproveite o início para dar recados como, avisar sobre celulares (ex: usar fora da sala e deixar no silencioso), evitar notebooks, regras para perguntas, material, etc.

   2.3 Humor é coisa séria, ter um momento “quebra gelo” faz toda a diferença! Mas se prepare para isto, você pode buscar histórias na internet, levar uma imagem que tenha uma fato curioso, etc. Atenção para as  piadas, se tiver confiança ok, mas cuidado! Sugiro contar  piadas sempre de você mesmo, nunca dos outros. Ah, um vídeo pode ajudar.

3- Perfil Certo: o rótulo “instrutor” sugere um especialista e o de “treinador” aquele que sabe tudo e tem um tom mais autoritário (muito usado no esporte). Outro perfil é o de FACILITADOR, inversamente aos outros é um generalista e utiliza o conhecimento da turma em sala para gerar os melhores debates, devolvendo perguntas pois considera que o conhecimento está no grupo.

    3.1 Moldura: de o seu “tom”, como exemplo cito o jogador de basquete Oscar Schmidt que fala palavrões em suas palestras e não pode mudar algo que é do seu perfil/ramo. Preferiu fazer uma “moldura”, se apresentando e fazendo as seguintes perguntas ao público:  Vocês tomam banho juntos no trabalho? Fazem reunião pelados? Então, no mundo esportivo é diferente, e palavrões fazem parte do meio – por favor, não estranhem, eu vim de um mundo diferente de vocês. Ou seja, as pessoas não ficavam mais desconfortáveis com os palavrões pois entenderam bem a “moldura” feita. Pense se você precisa fazer uma!

   3.2 Pré Teste: para evitar que alguém pense – “o que estou fazendo aqui?”, principalmente em situações onde um grupo de pessoas é obrigado a fazer o curso. Utilize uma técnica de fazer perguntas ao grupo sobre o tema, exemplo: eu trabalho em uma cervejaria, se perguntar a diferença entre chopp e cerveja, ou se quem a inventou foram os Finícios ou Egípicios, ou qual o fator ideal de espuma – dificilmente saberiam todas as respostas. Isso dá um recado ao grupo que sempre temos algo a aprender, “todos”!

     3.3 Perguntas difíceis, precisa saber lidar – o segredo está em ser um “facilitador”, compartilhando a pergunta com a turma da sala através de questões abertas (ex: De qual forma usaríamos? Quais os prós e contras? O que vocês acham disso? Alguém tem opinião sobre isso?) Dica de ouro: crie um grupo faixa preta para lhe ajudar com assuntos específicos do negócio da empresa. Devolva as perguntas à turma ou ao grupo faixa preta, afinal você não é obrigado a saber tudo.

4- Conteúdo: tem gente que pensa que o treinamento só começa ou só existe quando tem slides na tela. Pior, alguns treinadores avançam os lides sem explicar e dar o conteúdo, jamais faça isto! Importante – uma apresentação tem slides, mas um treinamento tem CONTEÚDO + ATIVIDADES

  4.1 GallaryWalk: faça cartazes com frases, imagens ou dicas para memorizarem os  principais recados. O contato visual em sala durante o tempo do curso ajuda na retenção.

  4.2 Apostila: importante ter, mas se possível, entregue somente ao fim do curso, evitando assim que as pessoas fiquem lendo o assunto na frente e não prestem a atenção devida. Disponibilize páginas e canetas para anotações.

    4.3 Conte histórias, pois quando aplicado corretamente ao conteúdo do curso, o aluno criará uma identificação – lembre-se: adultos valorizam a experiência com base na prática, assim as pessoas memorizam mais a teoria dado que criam um elo com o fato. Artifícios: Utilize o silêncio. Uma pausa pode ser poderosa. Escreva suas próprias histórias e ensaie, ensaie e ensaie. Use variações vocais (volume, tom, velocidade), Utilize sua linguagem corporal e movimentos. Considere utilizar um personagem.

Se o corpo não mexe, a mente não cresce. (João Cordeiro)

5- Movimente o corpo, a movimentação do grupo desperta as  pessoas e as tornam mais interessadas. Defina estrutura e função nos grupos conforme necessidade, importante que saibam seus papéis e responsabilidades.

     5.1 Apresentação coletiva, você pode colocar uma música e pedir que circulem pela sala, cumprimentando uns aos outros, e perguntando sobre o que faz, área que trabalha etc. É ótimo para construir uma boa relação entre os participantes.

     5.2 Agrupe e Misture as pessoas! Alternativas – utilize cartas (nipe), canetinhas (cor), onde cada nipe ou cor gera um grupo. Use a criatividade e invente a sua se necessário, com isto poderá colocar cada grupo em uma mesa, sugiro mesas redondas que estimulam a conversação entre os participantes. Grupos de 4 a 6 pessoas por mesa.

    5.3 Post it: no início do curso faça o time “pensar”, escrever palavras em um “post it” sobre determinado assunto, e colar  em algum “flipchart”. Pode ser as principais dúvidas ou o que esperam do treinamento, etc. Ao fim do curso, pegue os papéis e faça os comentários esclarecendo os pontos conforme a pauta ministrada no curso – uma ótima ferramenta para mostrar credibilidade, pois tem evidências que atingiu a expectativa do curso. 

6- Apresentação: trabalhe com blocos de 20 minutos pois os recados não podem ser longos, ficam cansativos. Após cada bloco de conteúdo, faça um RESGATE através  de debates em grupo e/ou com atividades – assim você terá um time ativo e captando/assimilando as informações com maior grau de retenção.

     6.1 Não leia os slides, lembre-se que todo mundo sabe ler! E outra – as pessoas leêm mais rápido que você. Ah, por favor, também não peça para ninguém ler o slide, esta técnica não contribui!

   6.2 Utilize imagens para explicar e complementar o conteúdo, portanto não leve slides carregados de conteúdo.

  6.3 Enriqueça, utilize videos para sair da monotonia e gerar um momento de descontração. Existem muitas opções bem humoradas que levantam o astral da turma. Imagem, som e movimento despertam maior interesse da platéia.

     6.4 Comande a apresentação, tenha um  controle na mão para a troca dos slides. Se a empresa não tiver um, sugiro comprar – guarde com você – faça o seu melhor (“carma”).

Nao há conteúdo que não possa ser transformado em atividade. (S.Thiagarajan)

 7- Desenvolva Atividades, a técnica do resgate deve ser usada após todos os blocos de apresentação, ou seja, a cada 20 minutos de conteúdo um resgate com PRÁTICA – afinal não podemos esquecer a “andragogia”.

     7.1 Movimente as pessoas, trabalhe o conteúdo do curso com atividades, um bom exemplo é pedir que levantem-se, deixando-as de pé o “corpo acorda”. Crie exercícios em grupo (2 ou mais) através de perguntas abertas: O que acham disso? Levantem prós e contras? etc. Ao final, peça a alguém para explicar a experiência e compartilhar o aprendizado com toda a sala!

  7.2 Dinâmicas em dupla, uma excelente alternativa para que eles se sintam realmente donos da atividade. Faça um estudo de caso para que seja resolvido entre os pares, é uma ferramenta importante pois permitirão que eles enfrentem situações reais. Mesma dica do compartilhamento, escolha uma dupla para dizer a turma o parecer final do exercício.

     7.3 Alternativas: você pode gerar muitas atividades em sala de aula, usando por exemplo: (1) caça-palavras, (2) quizz, (3) jogos (ex: dobrar um barbante apenas com uma mão, mostrando a importância do treino, pois quando repete o exercício conseguirá dobrar muito mais que na primeira tentativa), (4) músicas (preencher lacunas com letras/palavras que dê um recado), (5) casos com dinâmicas (se houver exposição das pessoas para falar em público, permita que mudem os nomes e criem personagens). Em resumo, fale menos e treine mais com atividades. Aumentará a retenção e maximizará o aprendizado, motivando mais as pessoas!

8- Encerramento, muita gente não  valoriza este evento. Eu penso que é fundamental, fechar com “chave de ouro” é algo que marca as pessoas. No material, disponibilize a bibliografia  utilizada, é uma mostra de respeito e gera credibilidade à sua apresentação.

     8.1 Evite perguntas como: Alguma dúvida? Alguém tem alguma pergunta? ou frases como “Era só o que eu tinha pra dizer!”. Isto não agrega ao final do curso e gera desconforto entre as pessoas, afinal as perguntas precisam ser feitas durante o curso e não ao final.

      8.2 Crie um ritual, um bom exemplo é colocar as pessoas juntas em círculo e escolher alguém  para falar sobre o que foi apresentado em sala de aula, o que a turma aprendeu, principais lições, aplicação prática no dia-a-dia, etc. É ótimo! As pessoas adoram expor seu aprendizado.

     8.3 Presenteie, isso mesmo! Dê um presente, um  chocolate por exemplo. Eu gosto muito de comprar um livro e sortear ao grupo. Defina um método, como exemplo – quem mais perguntou etc.

     8.4 Peça feedback (em folha) e desenvolva sua auto-crítica, afinal todos nós temos sempre o que melhorar!

Bom gente, é isto. Não tenho como finalizar sem passar a você leitor a preocupação com a “oratória”. Importante se preocupar e estudar este assunto, principalmente para evitar os vícios de linguagens (ex: né, palavrões) e melhorar a postura corporal.

Sugiro a leitura do artigo Técnicas de Apresentação em Negócios, pode contribuir ajudando com mais dicas específicas.

Por favor, deixe sua mensagem com críticas e sugestões, é uma honra para mim receber a sua opinião.

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Hipertrofiado – Steve Jobs

Hipertrofiado – como adjetivo remete a alguém no qual é de forma “excessiva” ou “anormalmente desenvolvido“. Pensei automaticamente ao Steve Jobs (24/02/55 – 05/10/11) – e deixo algumas provocações.

Não terminou a faculdade, entrou numa onda “contracultura” hippie, rejeitou a sua 1a filha, foi expulso da Apple – empresa que criou, não era modelo de ser humano pela insensibilidade e indiferença, levava as pessoas próximas a fúria e ao desespero, um “tecnoditador” para alguns.

Uma pessoa assim, pode ser referência para você? (favor responder na seção “comentários”).

Muitos pontos “contra o sucesso”, no entanto – Steve Jobs revolucionou o mundo com tecnologias voltada ao consumidor e deixou seus legados, e eu respeito isso! Seguem minhas considerações sobre o motivo de considerá-lo hipertrofiado:

As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que o mudam. (Comercial da Apple, 1997)

– Paixão pela perfeição: aprendeu com o pai a fazer as coisas direito, atrelado a uma intensidade envolvente e personalidade abrasadora, uma verdadeira mente inquieta – tornou-se um empreendedor cujo ímpeto feroz revolucionou sete indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets, publicação digital e lojas de varejo (conteúdo digital).

     Tinha verdadeira obsessão pelos produtos. Certa vez Atkinson (funcionário Apple) bolou um algorítmo genial que podia traçar rapidamente círculos e ovais na tela através de uma matemática que calculava raízes quadradas com base no fato de que a soma de uma sequëncia de números primos gera uma sequência de quadrados perfeitos. Todo mundo ficou impressionado, menos Jobs. Ele disse: “Bom, círculos e ovais são legais, mas que tal desenhar retângulos com os cantos arredondados?

   Outra boa história, foi com o iPhone, quando Jobs decidiu interromper o trabalho após uma noite de insônia, declarando simplesmente: “Eu ainda não o amo!

– Família x Pontecial: uma camada de consciência se acrescentou aos pais quanto ao potencial de Steve – sabiam que ele era muito inteligente, sua mãe lhe ensinou a ler antes de entrar na escola. Steve sempre teve o suporte da família! No entanto, foi criado por pais adotivos e tinha sempre o desejo de ter o controle completo de tudo pois o abandono dos pais biológicos lhe fez ser uma pessoa independente desde muito cedo.

   Como era intelectualmente especial, a escola fez uma proposta notável de que ele tivesse autorização para saltar dois anos e fosse direto do fim do quinto ano para o início do oitavo. A variável “familia” foi sempre marcante na vida de Steve, quando adulto mesmo com tantos compromissos, Jobs tentava ao máximo estar perto dos filhos, curtia férias em lugares como Kona Village no Havaí. Enquanto comandava a Next e a Pixar, tinha uma casa em Palo Alto escolhida pensada nas crianças! Isto lhe deu qualidade de vida e força interna para continuar prosperando profissionalmente.

É divertido fazer o impossível! (Walt Disney, frase que Jobs gostava)

– Autoestima: considerava-se especial, notava que era mais inteligente que os pais desde muito cedo. Instalou na sua infância alto-falantes pela casa que também era usados como microfones, construiu uma sala de controle dentro do seu armário. Lia manuais e as teorias que como os mecanismos funcionavam, construiu um par de rádios e depois disso, ainda criança, acreditava que poderia construir qualquer coisa!

   Lembrava da morte, gostava da frase da Roma antiga, “Memento Mori” – “lembra que vais morrer” e dizia que evitava cair na armadilha do “temos algo a perder”. Portanto sempre seguia o que o coração ditava, e o fazia ter um vigor intenso, como se tivesse um prazo limitado para cumprir suas missões.

   Profundamente influenciado pela “espirutalidade oriental e a iluminação”, aprendeu a meditar. O zen-budismo foi abraçado intensamente por Jobs, no qual o fez perceber que uma compreensão e consciência intuitiva eram mais significativas do que o pensamento abstrato e a análise lógica intelectual.  Largou seu emprego na Atari e fora à India para uma jornada espiritual, pois com apenas 19 anos dava muita ênfase a “sabedoria” e ao entendimento cognitivo que é intuitamente experimentado mediante a concentração da mente, a ação emocional somado com a análise racional o tornava mais forte (obtinha mais insights). O mix deste perfil com a nerdice eletrônica o tornara diferente e único.

Não faço nada por dinheiro. (Steve Jobs)

– O gosto pela profissão: fazia algo que gostava muito e isso sempre foi diferencial. Amava o que fazia! Quando criança – seu pai lhe proporcionou o primeiro contato a um terminal de computador, numa visita ao Ames Research Center da Nasa – no qual ficou completamente apaixonado com a tecnologia. O sucesso financeiro foi apenas consequência, ele sempre se preocupou mais em fazer algo que amasse e que fosse revolucionar o mundo.

   Dizia que o trabalho que o time estava fazendo enviava uma ondulação gigantesca por todo o universo e alegava que criar esta “onda” era a coisa mais divertida da vida dele. O trabalho lhe gerava um sentimento maravilhoso, de êxtase! Realmente amava o que fazia. Na Apple faziam produtos para si mesmos, para seus famliares – e neste caso faziam o “esforço a mais”, desafiavam muito o status quo.

Quero construir o computador do futuro, só que quero fazê-lo amanhã. (SteveJobs)

– Busca pelo conhecimento: foi intensa enquanto durou sua vida, refletia muito, fazia longas caminhadas – era sua forma preferida de ter uma conversa séria. Imitava Aristóteles, no qual ministrava suas lições passeando nos jardins enquanto andava (escola peripatética), pois o movimento do corpo ajuda a estimular o processo criativo. Caminhava quinze quadras para ir à escola todos os dias!

    Pela sua rebeldia , recusou-se a frequentar aulas que lhe foram atribuídas, e em vez disso ia somente para as que ele queria – exemplo melhor foi o curso de caligrafia pois notava que os cartazes do campus que eram desenhados eram lindos e isto o fascinava. Esta intersecção entre arte e tecnologia foi um casamento forte.

   Estudava muito, e acreditava mais no exercício lógico que criava do que tendências ou pesquisas de mercado. Certa vez foi questionado após a apresentação do Mac sobre qual tipo de pesquisa tinha feito, e respondeu caçoando: “Alexander Graham Bell fez alguma pesquisa de mercado antes de inventar o telefone?

   Entrou na indústria dos filmes de animação e 3D pelo desejo de aprender, fez com que a tecnologia encontrasse a arte! Tanto interesse fez surgir para o mundo a computação gráfica, e a Pixar. Ganhou o Oscar em 1988 com Tin Toy na categoria curtas de animação, o primeiro de sua espécie gerado por computador a receber tal prêmio!

   Processo criativo – fugia da armadilha da era digital onde as pessoas pensam que as ideias podem ser desenvolvidas pela troca de e-mails, chats ou sites de relacionamento. “Loucura” dizia Steve. A criatividade vem de encontros espontâneos, de conversas aleatórias. Projetava lugares para promover os “encontros” e a colaboração imprevista. Tinha saltos de imaginação instintivos, inesperados, cujos “insights” exigiam mais do que poder de processamento mental.

– Influência e Persuasão:  um ponto curioso, Jobs aperfeiçoou o truque de usar olhares e o silêncio para dominar outras pessoas. Olhava fixo para a pessoa com quem estava falando, muito dentro dos olhos do outro, fazia alguma pergunta e queria uma resposta sem que a outra pessoa desviasse o olhar. Era carismático e extrovertido quando queria (forçado), e conseguia distorcer as situações conforme sua vontade, sempre rápido e seguro de si, desta forma tornou-se um excelente negociador.

   Tinha uma habilidade fantástica em ler as pessoas e conhecer seus pontos fracos e fortes e suas inseguranças psicológicas. Sabia intuitivamente quando a pessoa estava fingindo e quando realmente sabia das coisas. Ele tinha a misteriosa capacidade de saber exatamente o ponto fraco e esmagar o indivíduo quando quisesse, mas quando com a sua aprovação sabia elevar as pessoas, pô-las em pedestais e portanto controlá-las.

   Tinha a atitude de quem podia fazer qualquer coisa e, portanto, quem trabalhava com ele entendia que também podia. Era um lado brilhante, quem  confiava nele era capaz de fazer coisas acontecerem, independente da complexidade – pois extraia dos outros o máximo do seu pontencial. Um bom exemplo, fez Wozniak largar o emprego na HP argumentando que teriam uma aventura divertida e não por dinheiro, que não seria um administrador e sim um “engenheiro chefe”. Conseguiu o apoio de amigos e familiares e obteve sucesso convencendo Wozniak a largar o emprego na HP!

   Uma das frases marcantes foi dita por Jobs a Sculley: “Você quer passar o resto da sua vida vendendo água adoçada ou quer uma chance de mudar o mundo?“. E foi assim que John Sculley, gênio do marketing de consumo da época e presidente da Pepsi-Cola foi persuadido a abandonar o cargo e assumir a gestão da Apple.

  Outra frase que mudou a história da indústria de animação foi com a Pixar dita por Jobs para Katzenberg (Disney): “A Disney está satisfeita com a Pixar?” a resposta foi sim. Jobs lhe fez outra pergunta: “Você acha que nós, da Pixar, estamos satisfeitos com a Disney?”. Katzenberg disse que supunha que sim, e Jobs disse que não! Jobs devolveu: “Nós queremos fazer um filme longa com vocês, isso nos deixaria satisfeitos”. E assim nasceu a proposta do Toy Story. A Pixar que valia 50 milhões de dólares passou para 1,2 bilhão de dólares.

   E na minha opinião, a melhor de todas foi quando retornou à Apple e disse ao Conselho que “todos” deveriam renunciar, do contrário seria ele quem renunciaria. Mesmo chocados, aceitaram! Entre eles estava Markkula – 1o investidor da Apple. Incrível!

O que nos une é a capacidade de fazer coisas que mudam o mundo. (SteveJobs)

– Sustentabilidade: pensava não somente em criar produtos transformadores, mas em gerar empresas duradouras, dotada de seu DNA, com gente criativa  e pessoas brilhantes que poderiam levar adiante sua visão. Markkula ensinou a Jobs para nunca abrir uma empresa com o objetivo de ficar rico, o objetivo deve ser fazer algo em que se acredita e fazer  uma empresa que dure!

   Para ser sustentável uma empresa precisa de marketing com campanhas de publicidade memoráveis, que podem criar consciência de marca! O logo com a “maçã mordida” nasceu da influência da fazenda de Robert Friedland no qual meditava, e a mordida para gerar uma reflexão às pessoas. Jobs ficou famos por criar produtos, mas é igualmente importante sua capacidade de crigar grandes empresas com marcas de valor. Criou duas das melhores da sua época – Apple e Pixar!

   Aprendeu que as empresas que duram são as que sabem se renovar, a HP por exemplo começara com instrumentos, depois calculadoras e por fim computadores. Trouxe sobrevida à Apple com o conceito do iPRODUTO sendo iPresident, lançando o iMac e ressuscitando o tão famoso computador da Apple. Como não mencionar o iPod, iPhone e iPad e toda a integração entre os produtos. Gostei quando descreveu usando uma metáfora do jogo de hóquei: “Deve-se esquiar para onde o disco está indo, e náo para onde ele estava“. Garantia a empresa, “sustentável”, mantendo-a sempre a frente do seu tempo.

   Steve aprendeu a ser um “gestor”, com foco cortava tudo o que não tinha muito propósito, pôs de lado os desejos de controlar tudo e terceirizou a fabricação através de regras rigorosas aos fornecedores – conseguiu ótima eficiência, e o melhor exemplo foi que reduziu o número de empresas de cem para 24, e o estoque da empresa de quase 3 meses para para 2 dias, eliminando 10 armazéns dos 19 que a Apple mantinha, tudo através da parceria com Tim Cook.

A simplicidade é a máxima sofisticação. (Leonardo da Vinci)

– Simplicidade e Foco: queria sempre fazer algo “simples”, seguia isto como filosofia de vida.  Exemplo – do conceito do simples queria sair da calculadora, e criou a primeira planilha eletrônica – um software chamado VisiCalc (antecessor ao Excel) que permitia o controle de finanças pessoais, um  software simples que ajudou a Apple II a ser comercializado e conquistar o mercado.

   A “simplicidade” foi muito defendida por Jobs, pode ser vista no “design clean” de seus produtos e também nos sistemas operacionais praticamente intuitivos que desenvolveu. Simplificar não é ser simplista e ignorar dados fundamentais do problema, trata-se de compreender profundamente o desafio e encontrar a solução mais elegante – é fácil dizer, mas isso demanda muito esforço. Almejava a simplicidade que resulta da conquista das complexidades, e não de ignorá-las, dizia: “Dá muito trabalho fazer uma coisa simples, compreender de fato os desafios subjacentes e chegar a soluções elegantes“.

   Outro bom exemplo, é que ele abominava a ideia de usar canetas (stylus) para escrever numa tela. Dizia – “Deus nos deu dez canetas stylus, não vamos inventar outra. O iPhone e o iPad revolucionaram com esta tecnologia (toque com os dedos) o mercado.

   O foco estava sempre no futuro. Jobs usava reuniões para incutir um senso de missão coletiva na Apple e engajamento. Dizia que seu trabalho era podar as macieiras para manterem o vigor, em vez de encorajar os grupos a multiplicar as linhas de produtos, Jobs insistia que a Apple concetrasse esforço em apenas duas ou três propriedades por vez.

Os produtos não prestam, não há mais sexo neles! (Jobs no retorno à Apple)

– Inovação com Visão: gostava de ler coisas que ainda não foram impressas. Talvez seja o ícone máximo da inventividade, imaginação e inovação sustentada das últimas décadas. Conseguiu conectar criatividade com tecnologia onde saltos de imaginação forma combinados com notáveis façanhas de engenharia. Pensava sempre em aparelhos e serviços de que os consumidores ainda não precisavam.

   Era um garoto entediado na escola, pois as regras e o modelo autoritário que abafava a sua criatividade não lhe agradava. Não gostava de memorizar coisas, adorava ser estimulado a pensar. Por ser hippie, “fora da regra”, via as coisas de forma diferente dado a sua mentalidade anárquica que é ótima para imaginar um mundo que ainda não existe.

   Me chamou a atenção a criação do Apple, acontecimento que reflete a visão e a sabedoria de Steve Jobs. Wozniak era funcionário da HP e apresentou à diretoria da empresa o primeiro protótipo do Apple I, e ouviu da HP que “não se tratava de algo que pudesse ser desenvolvido,  seria apenas um produto para amadores e não se encaixava no segmento de alta qualidade da empresa”. Jobs aproveitou essa recusa e com grande “visão” deu o rumo que eles não viram.

   A inovação aliada a sua visão sempre marcaram Jobs em sua carreira, Steve Jobs inventou tudo o que se utiliza até hoje referente as interfaces gráficas, documentos, mapas, desenhos, tabelas e dispositivos, inclusive geradores de fala que convertiam texto em voz e usou isso na talvez, a maior de todas as suas apresentações –  a de 1984 com a música tema de Carruagens de Fogo, quando o Macintosh se apresentou a si mesmo e “tirou onda” da IBM: “não confiem num computador que não consigam levantar“.

   Jobs fez um curso de caligrafia e seu conhecimento de fontes era admirável, usou os recursos do “bitmap” para criar uma série infindável de fontes, desde as elegantes até as mais malucas. Esta variedade fantástica combinada com a impressora a laser e grandes funcionalidades gráficas, ajudaram a criar a indústria de edição e impressão.

   Palestrando, abriu uma tampa e tinha um projeto de computador que cabia no colo com teclado e tela que se fechavam no tamanho de um caderno universitário – o sonho de um notebook. E mais tarde em Stanford falou sobre a paixão por produtos do futuro e de sonhar com um computador do tamanho de um livro (futuro iPad).

   Importante: uma empresa bem administrada pode semear muito mais inovação do que qualquer pessoa criativa individualmente. A melhor inovação é a própria empresa, o jeito como se organizam os processos!

Os verdadeiros artistas lançam. (Steve Jobs)

– Legados: Referente ao Apple I e II, Wozniak mereceu o mérito pelo projeto de sua admirável placa de circuito e software operacional relacionado. Mas foi Jobs quem integrou as placas em um pacote amigável e a empresa. Na verdade, ele sempre quis um produto que, em suas palavras, “deixasse uma marca no universo“. Sua frase forte – Estamos inventando o futuro. Usava este termo muito antes de criar o Mac, estava sempre procurando “deixar legados”.

   Macintosh vs Inteface Gráfica: através de visitas ao Centro de Pesquisas de Palo Alto da Xerox Corporation, e conhecendo Alan Kay (cientista visionário), Steve foi apresentado ao “bitmap“, um sistema onde cada pixel na tela é controlado por bits na memória. Possibilitava belos gráficos, fontes e uma interface gráfica. Foi neste momento, que Steve Jobs pode ver o futuro da computação! Ele “assaltou” a idéia da Xerox e aperfeiçoou através de um processo criativo pouco visto na história. Neste projeto inventaram o mouse que permitia o cursor do Macintosh se mover pela tela de maneira suave e contínua, sem tremer. O conceito de janelas (permitindo arrastá-las e sobrepô-las) com barras de títulos, transformaram a metáfora do desktop em uma realidade virtual, permitindo tocar, manipular, arrastar e mudar de lugar as coisas. Jogar arquivos em pastas, o conceito de ícones como a lixeira para descartar arquivos – uma nova forma de comunicação para a épocamenus que baixavam de uma barra no topo de cada janela, a capacidade de abrir arquivos com um clique duplo, barras de rolagem, etc. Que legado!

   Lojas da Apple vs Dispositivos: conseguiu vender um modelo de “estilo de vida digital”. Acreditava que o computador se tornaria um “hub digital“, que coordenaria uma variedade de dispositivos. Destes iniciou as apostas na música, com o iTunes (iTunes Store) retirando milhões de pessoas que em 2000 ficavam copiando músicas de seus computadores para CDs. Posteriormente, lançou em 2001 o iPod com o slogan “Mil músicas no seu bolso” + a inovação da “roda” (botão central do iPod) que permitia percorrer as canções de modo rápido passando facilmente por centenas de músicas.

   Filmes: os personagens da Pixar – Buzz e Woodyn de Toy Story, que lançou através de um contrato milionário com a Walt Disney. Depois vieram Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo faturando 868 milhões de dólares e Oscar de melhor animação, e ainda Os Incríveis e Carros. Não é fantástico!?

   Mas termino esta seção com dois produtos que revolucionaram o mercado da tecnologia, o iPhone e o iPad. O primeiro com visual inovador (liso, de aço escovado e com vidro “gorillla glass”, muito resistente e que cobria toda a superficie com cantos arredondados) , veio com “três produtos num só” – (1) um iPod com tela larga e controle pelo toque, Multitoque – permitindo o usuário usar funcionalidades sem a necessidade de caneta ou teclado, (2) um celular revolucionário com Rolagem Inercial permitindo o deslizar do dedo na tela e mover uma imagem como se fosse algo fisico, sem botão liga-desliga, (3) um aparelho de comunicação pela internet. Foi sucesso porque utilizaram as idéias vindas do projeto secreto que era o iPad, um “tablet” que não tinha teclado e nem caneta. Steve Jobs projetou um computador potente e que um garoto de seis anos poderia usar sem receber nenhuma instrução – isso é mágico! A Apple vendou em menos de 1 mês 1 milhão de iPads. O iPhone e o iPad são os bens de consumo de mais sucesso na história da tecnologia, um baita legado!!!  Frase de Steve Jobs: “Foi a diversão mais complexa que tive na vida.

   iCloud – Jobs acreditava que o computador de mesa não mais serviria de centro de conexão dos conteúdos do usuário, pois este centro seria transferido para “a nuvem”.  A Apple foi a primeira a ver o computador como um “hub digital”.

Bill, obrigado por seu apoio a esta empresa. Acho que graças a isso o mundo ficou melhor (Steve Jobs, após receber ajuda da Microsoft)

– Poder de Negociação: quando criança, observava sua casa (nr 286 da rua Diablo) inspirada numa arquitetura moderna para o “homem comum” americano, com espaços sem divisória e portas corrediças, eram inteligentes, baratas e boas – venderam muito nos bairros da cidade pelo design limpo e gosto simples. Ali começou a paixão por produtos bem projetados para o mercado de massa. Pechinchava em feiras no preço de placas de circuito usadas, que contivesse chips ou componentes valiosos e depois os vendia – gerando um gosto por negociar e obter lucro.

   Quando (junto com Wozniak em 29/06/1975) digitaram algumas teclas do teclado e as letras apareceram na tela, ficaram chocados! Jobs metralhou Wosniak com perguntas – o computador poderia entrar em rede? Era possível adicionar discos de armazenamento? E os chips de memória dinâmica de acesso aleatório? E com alguns telefonemas conseguiu de graça da Intel os chips para continuarem o projeto. Foi sempre assim, Wozniak projetando e Steve encontrando maneiras de comercializar o produto.

   Steve posteriormente pensou no computador pessoal  como um pacote completo, integrado de ponta a ponta, da fonte de alimentação ao software e ao monitor. Tinha a ideia de criar o primeiro computador totalmente integrado. Não tinha dinheiro e ouviu muitas recusas (da Atari, de bancos, …) até encontrar Mike Markkula que acreditou no projeto e se tornou sócio (investidor) majoritário da Apple.  O desenrolar desta história é que Steve Jobs com 25 anos valia 256 milhões de dólares!

   Assim era Steves, um hippie antimaterialista que faturou em cima das invenções de um amigo que queria distribuir de graça, um seguidor do zen-budismo que virou empresário “furioso” pelo sucesso. Dá pra entender?

   O “tato” para os negócios era tão forte que mesmo em um momento no qual as vendas da indústrias estavam se transferindo das lojas locais especializadas em computadores para as megarredes e enormes lojas de varejo, Steve Jobs apostou no fortalecimento da comunicação com o consumidor para vencer na área de inovação. Abriu uma loja da Apple na quinta avenida em Nova York, imensa – como sinal de importância da marca. Foi sucesso absoluto, no primeiro ano teve recorde absoluto na indústria varejista com a marca de 1 bilhão de dólares.

– “Networking”: me chamou muito a atenção o quanto Steve Jobs era bom em estabelecer uma forte rede de contatos, como exemplo – aos 12 anos sozinho contactou em Pablo Alto o fundador da HP e presidente executivo Bill Hewlett. Conheceu também David Packard ainda adolescente, tudo para construir um contador de frequência. Buscou referências na época como Edwin Land da Polaroid, Al Alcorn da Atari (no qual trabalhou para ele), William Shockley (um dos inventores do transistor e circuitos de memória), Robert Noyce e Gordon Moore que fundaram a Intel.

   Moore marcou história em 1965 quando desenhou um gráfico com a tendência que a velocidade dos circuitos integrados dobraria a cada dois anos – o que foi validado em 1971 quando a Intel lançou o microprocessador (CPU). Essa lei se mantém válida até hoje, e possibilitou que duas gerações de jovens empresários criassem projeções de custos para seus produtos voltados para o futuro, entre eles Steve Jobs e Bill Gates.

   Não posso deixar de comentar sobre o Stephen Wozniak, 5 anos mais velho que Jobs e muito mais bem informado sobre eletrônica do que ele, “exaltava a engenharia” – tornou-se um cientista de foguetes que criava sistemas de orientação para mísseis, ficava maravilhado ao ver como as máquinas eram simples – em vez de complexas, e era encantado sobre as histórias de novos computadores, como o poderoso ENIAC. No entanto, desprezava áreas como administração, marketing e vendas, era fraco no contato social e emocional. A verdade é que Jobs viu nesta amizade possibilidades incríveis, a combinação do talento técnico de Wozniak + a inteligência de Jobs em saber empacotar, tornar fácil de usar, obter negócios  e lucrar – uma combinação explosiva.

   Steve Jobs adorava absorver informações, especialmente quando tinha consciência de estar diante de alguém que sabia mais do que ele, houve vários personagens em sua história, mas o nome mais importante para mim foi Mike Markkula, um homem cauteloso e astuto, se destacava por descobrir estratégias de preços, redes de distribuição, marketing e financiamento. Ele gostou da idéia do Apple, propôs um plano de negócios a Jobs que juntos planejaram a introdução dos computadores pessoais para pessoas comuns (algo INCOMUM para a época). Markkula colocou 250 mil dólares na empresa (1/3 de participação acionária) e foi possível criar a empresa Apple Computer Co (03/01/1977).

   E o seu “velho amigo”, Bill Gates. É verdade, eram amigos. Gates o visitou antes do lançamento do Mac e iniciou os trabalhos desenvolvendo os softwares para a Apple – foi deste encontro que nasceram os aplicativos Excel e o Word, não é incrível?

– Persistência: ele era “muito” persistente, quando precisava de dinheiro em época universitária leu um anúncio da empresa Atari que dizia: “Divirta-se, ganhe dinheiro”. Ele foi à Atari, se apresentou ao diretor de pessoal (Alcorn) que disse a Nolan Bushnell (fundador da empresa): “Tem um garoto hippie na entrada e diz que não vai embora enquanto não o contratarmos. Devemos chamar os tiras ou deixá-lo entrar?” A resposta: “Tragam o cara!” – e Jobs foi um dos 50 primeiros funcionários da Atari.

   Considero a palavra “persistência” irmã da sentença “trabalho duro”. Jobs assistia aulas de física como ouvinte na universidade de Stanford durante o dia e trabalhava a noite na Atari, e sonhava em abrir seu próprio negócio. Outro exemplo era o Wosniak, trabalhava na HP durante o dia e a noite nos projetos do Apple I. Trabalho duro foi um traço forte da Apple, com dois amigos começando uma empresa.

   Curiosidade – no primeiro lote de venda do Apple, precisavam de 15 mil dólares de peças. Jobs tentou fazer um empréstimo no banco que foi recusado, ofereceu uma participação à loja de suprimentos – não funcionou, na Atari também não teve êxito. Por fim, conseguiu com outro fornecedor, convencendo o gerente comercial da loja através de uma evidência que tinham feito a venda no valor de 25 mil dólares (um telefonema direto ao comprador). Jobs era “muito persistente” e conseguiu a compra com pagamento para 30 dias. Ufa! rs

   Imagine que mesmo após ouvir de John Sculley (presidente da Apple) que a empresa tinha um único líder, Steve e ele – e foi demitido da própria empresa anos depois, teve que recomeçar do zero e enfrentar muitos desafios. Foi assim com as empresas que montou depois (NeXT e a Pixar), trajetória de sucesso mas muito árdua.

   Dizia que tudo que ele fizera direito só tinha ficado bom depois que apertara o “botão rebobinar”. Em cada caso, havia que algo não estava perfeito e precisara refazê-lo. Revolucionar a indústria do computador foi algo muito difícil, tanto pela tecnologia da época quanto pela mentalidade – pois consideravam computadores como instrumentos que podiam ser usados apenas por governos e corporações. Foi Steve Jobs que com muita, mas muita persistência deu uma visão diferente – e apresentou um mix de software e hardware como instrumento de libertação e capacitação pessoal.

   “A grande arte puxa o gosto, não acompanha os gostos”. (Bill Atkinson)

– Interesse genuíno no produto: Steve tinha a preocupação com o consumidor e com um design marcante – era APAIXONADO por design. Para ele o microprocessador com os 8 kbs de memória e a versão do BASIC que tinham escrito para o Apple I eram um teclado humano-digitável, uma revolução. Mesmo assim queria mais, se importava com a caixa, embalagem, tudo tinha que ser agradável, bonito, fácil e fascinante – dizia que as pessoas julgam e compram os livros pela capa.

   Em um de seus momentos de meditação em uma fazenda de maçãs, propôs o nome Apple para a empresa que desejava abrir – parecia um nome divertido, espirituoso, amável, simples e principalmente porque ficava à frente da Atari na lista telefônica.

   Gostava do conceito de um modernismo simples e despojado produzido para as massas, design com espírito expressivo – dava ênfase à racionalidade e à funcionalidade. Enfatizava que os produtos da Apple seriam brilhantes, puros e honestos no que se refere à sua alta tecnologia. Jobs era um artista, não queria ver suas criações modificadas por programadores indignos. Seria como se um  fulano qualquer acrescentasse algumas pinceladas num quadro de Picasso ou mudasse a letra de uma canção de Bod Dylan. A idéia de aparelhos completos com hardware e software integrados (aparelhos completos) concebidos de ponta a ponta diferenciaram o iPhone, o iPod e o iPad.

   Outro ponto, contrário a outros desenvolvedores de produtos Jobs não achava que o cliente estava sempre certo. Se queriam resistir ao mouse, estavam errados!  Era mais um exemplo de como punha sua paixão de fazer um grande produto na frente do tempo.

    Extramamente “focado”, certa vez numa reunião gritou com um “Basta!” dado ao elevado número de produtos da Apple vs a complexidade dos mesmos. Fez um quadrante num quadro branco riscando linhas verticais e horizontais, terminaram a reunião com apenas 4 produtos. Assim teve maior capacidade de concentração do time.

– Foco em resultado: Com o objetivo de fazer um bom trabalho, deve-se ignorar todas as oportunidades sem importância. Decidir o que não fazer é tão importante quanto decidir o que fazer, afirmava Jobs. Certa vez, Steve reclamou do tempo que o Macintosh demorava pra ligar (boot), e perguntou se dava pra fazer 10 segundos mais rápido ao engenheiro Larry Kenyon – enquanto houvia a explicação, interrompeu e perguntou: “Se fosse para você salvar a vida de uma pessoa, você acharia um jeito de diminuir 10 segundos?”. A resposta foi SIM. Jobs então pegou um quadro branco e fez uma conta que 10 segundos mais rápido todos os dias e com 5 milhões de usuários, seria possível poupar 100 vidas por ano. Poucas semanas depois o Mac estava rodando 28 segundos mais rápido!

   Diferente de empresas como a Sony no qual foi pioneira na música portátil com o Walkman mas fracassou na continuação do modelo de negócio, Steve Jobs organizou a Apple em divisões com alto estímulo para trabalhar como uma empresa coesa e flexível, com um resultado único de lucros e perdas. Este modelo diferenciado fez com que o Itunes Store por exemplo, vendesse 1 bilhão de músicas em 3 anos.

   A melhor na minha opinião, foi quando a Disney que se viu obrigada a comprar a Pixar para sobreviver no novo mundo digital, pagou 7,4 bilhões de dólares em ações e Jobs se tornou o maior acionista da empresa. Isso que é resultado!

   Com o iPod, Jobs transformou o mercado musical. Com o iPad/iPhone e a App Store transformou todos os meios de comunicação, desde as editoras e imprensa até a televisão. Deu um novo rumo aos sistemas operacionais, onde a Google virou a Microsoft do novo século, pois lançou o Android copiando o modelo de sistemas abertos e venda de software centralizada.

– Obsessão pela saúde financeira: quando demonstrado o “Altair”, um protótipo de computador pessoal, Wosniak ficou impressionado com as especificações de um microprocessador – um chip que tivesse uma unidade de processamento central inteira e desejou projetar um terminal com teclado e monitor (o nascimento do Apple I). Planejava usar o mesmo microprocessador do Altair (um Intel 8080), mas cada um deles custava a sua renda mensal. Conseguiu outro chip que era eletrônicamente o mesmo e custava apenas $20, tornando a máquina acessível e com custo de longo prazo.

   Mas Steve Jobs evolui muito em sua capacidade de administrar uma empresa, e não foi por sorte que virou presidente executivo de duas empresas em paralelo – a Apple e a Pixar. Em ambas, a geração de receita com resultados lucrativos foram sustentáveis.

   Quando reassumiu a Apple, fez imediatamente um acordo financeiro com a Microsoft (Bill Gates) referente as ações judiciais das patentes do sistema operacional. Conseguiu não somente ter a garantia de um pacote Office continuado para o Mac, mas também captar investimentos de 150 milhões de dólares! Neste dia, as ações da Apple aumentaram 33%!

   Steve Jobs inovou com a forma de vender música e software. Com o iPod lançou uma inovação que iniciou a transformação da Apple de uma empresa de computadores para a empresa de tecnologia mais valiosa do mundo, uma empresa com poesia ligada a engenharia, artes e criatividade cruzando com tecnologia, design arrojado e simples. Mais que o iPod, Jobs criou o sistema integrado com software e dispositivo de música, e em 2003 a iTunes Store aliado com parcerias junto as gravadoras e colocando ordem na pirataria, criando um modelo de negócio totalmente inexistente – disse ele: “Os downloads de sites gratuitos não são confiáveis e a qualidade muitas vezes ruim. O pior de tudo é o roubo, é melhor não mexer com o carma!“. A iTunes Store tinha previsão de venda de 1 milhão de músicas em 6 meses, atingiu esta marca em 6 dias! Posteriormente, com o iPhone a Apple permitiu os desenvolvedores criarem aplicativos, mas manteve o controle ponta-a-ponta pela Apple Store e obteve em apenas 9 meses mais de 1 bilhão de downloads com margem comercial sobre estes aplicativos. A AppStore criou uma nova indústria da noite para o dia!

   Diferentemente da Microsoft, a Apple não permitiu que seu SO fosse licenciado e chegou a ter apenas 5% da fatia de mercado – no entanto manteve uma imensa margem de lucro com 35%, enquanto outros fabricantes foram transformados em commodities. Mesmo com uma estratégia questionada, a Apple em setembro de 2011 valia 70% mais do que a Microsoft.

A viagem é a recompensa. (Steve Jobs)

– Jogadores de Primeira: Jobs sempre esteve preocupado em trabalhar com os melhores!  Uma história muito boa é sobre um engenheiro que disse que “não tinha como fazer” um mouse que levasse o indicador da tela para qualquer ponto. No mesmo dia ele foi demitido! Tinha obsessão para trabalhar com gente boa, com o melhores! Dado sua intensidade, não tinha meio-termo, ou eram geniais ou idiotas.

   Seu principal critério era recrutar aqueles que tinham paixão pelo produto.  Ele sempre manteve rédeas firmes no processo de contratação, onde o objetivo era sempre contratar gente criativa, muito inteligente e ligeiramente rebelde. Jobs fazia perguntas esdrúxulas para ver como o candidato reagia a situações inesperadas, se raciocinava bem, mostrava senso de humor e revidava!

   Steve respeitava quem sabia defender aquilo em que acreditava, ou seja, valorizava também quem fazia o que ele precisava e não o que ele pedia – o melhor exemplo foi quando Belleville (engenheiro) fez pelas suas costas e contra à sua vontade o projeto de disco do Macintosh, escondendo o engenheiro Komoto da Sony dentro da Apple para o projeto. Tudo isso numa cultura onde o resultado vem pela paixão de fazer um produto incrível e não apenas lucrativo. Ah, um fato curioso – Jobs detestava pessoas que usavam apresentações Powerpoint, para ele quem sabia o que falava não precisava de slides.

   O time percebeu que Jobs, apesar dos defeitos de temperamento, tinha a energia empresarial capazes de levá-los a imprimir uma marca no universo. Motivava seus funcionários com a frase “A viagem é a recompensa“, frisando que a equipe trabalhava em um corpo de elite com uma elevada missão, e que olhariam para trás algum dia, esquecendo ou rindo dos momentos difíceis e teriam muito orgulho.

   Jobs imbuiu os funcionários de uma paixão permanente por criar produtos inovadores e de uma convicção de que podiam realizar o que parecia impossível. Guardei o fato que quando o Apple II ficou com design pronto, Jobs reuniu todos para uma cerimônia e fez com que todos assinassem o produto – “os verdadeiros artistas assinam a sua obra“, disse. Ele sabia engajar seus funcionários, dando-lhes a confiança de que estavam em uma empresa duradoura que inventaria o futuro.

   Existia uma lição administrativa que  julgava essencial, que era montar uma equipe sempre de gente classe A. Pois os integrantes de classe A gostam de trabalhar com outros A, e você não pode permitir integrantes de classe B ou C para não desmotivar esse público. Para isto, criou um processo de contratação colaborativo, onde toda a liderança tinha que fazer a análise do candidato.

Pense diferente. (campanha Apple, 1984)

– Comunicação: era um grande comunicador e fazia apresentações de negócio como ninguém. Parecia mais um “showman” do que um empresário, com gestos calculados para tornar os momentos realmente especiais. Havia aperfeiçoado a arte de transformar o lançamento de produtos em produções teatrais. Isso o tornava realmente diferente!  Ele virou um agente fortíssimo de publicidade, se tornou o grão-mestre dos lançamentos de produtos. Organizar um grande show estimulava suas paixões tanto quanto lançar um grande produto.

    Registro o lançamento do iMac, quando usou as seguintes frases: “Esta é a aparência que os computadores têm hoje (apresentando fotos de conjunto bege de componentes e monitores em formato de caixas), e quero ter o privilégio de lhes apresentar a aparência que terão a partir de hoje. Parece que vem de outro planeta, um bom planeta. Um planeta com os melhores designers“. A Apple vendeu 800 mil iMacs em 5 meses, foi o computador de venda mais rápida da história.

   Até mesmo em reuniões internas, com o time, tinha uma capacidade gigante de expressar como ninguém seus sentimentos através de frases de efeito com alto poder de impacto.

   Colocou a Apple e os consumidores num patamar superior, dizendo que era preciso pensar diferente para comprar os produtos deles. Exaltava com uma comunicação eficiente os “espítitos criativos do mundo” – pois eles podem mudar o mundo, e que fornecia tecnologia para este tipo de gente. Enquanto outros achavam estes consumidores malucos, eles (a Apple) enxergavam nessa maluquice a genialidade. Isso fidelizava os consumidores, pois realmente se sentiam gênios!

   O fato marcante. Jobs quando teve que explicar um problema de comunicação referente a antena dos primeiros Iphones 4, distribuiu a culpa aos outros fabricantes de smartphones, com um marketing moderno de distorção empresarial e administração de crise que somente ele conseguia fazer. Foi uma manobra em alto estilo, fugindo do manual de relações públicas, mudando o contexto do problema com uma asserção indiscutível.

As pessoas loucas para achar que podem mudar o mundo, são as que mudam.

Gosto de pensar que alguma coisa sobrevive quando morremos, que nossa consciência perdure. Mas por outro lado, talvez seja apenas como um botão liga-desliga. Talvez seja por isso que eu jamais gostei de por botões de liga-desliga nos aparelhos da Apple“. (Steve Jobs).

Caro leitor, considerando a soma dos pontos negativos e positivos, qual o saldo de Steve Jobs para você como referência? Deixe seu comentário e justificativa. Obrigado.

* Resenha da biografia do livro Steve Jobs por Walter Isaacson.

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